sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Operação Valquíria

Delegamos responsabilidades demais a Deus?

Para começar este texto, venho dizer que ele não tem pretensão alguma de blasfemar contra qualquer crença ou religião, principalmente a Deus, a quem professo minha fé.

O fato é que percebo que em alguns momentos simplesmente delegamos responsabilidades a Deus. Ora, a todo tempo vemos quantas coisas tristes acontecem! Sendo Deus amor, porque tanta dor? Aí alguém diria: o livre arbítrio. Sim, claro, a responsabilidade humana! Só que sempre depois de um momento de dor ou de indignação sempre vem aquela velha frase: foi a vontade de Deus! Será que é mesmo?

Vamos entender meu raciocínio, e para isso vou citar o excelente
filme Operação Valquíria, de onde veio a inspiração deste meu pôst. Se os homens estavam fazendo a guerra, segunda guerra, para sermos mais exatos, e era o Hitler o demônio da vez, precisávamos de pessoas que fossem o instrumento de Deus para terminar aquela guerra, correto? Errado. Pelo menos, o que parece.

Havia pelo menos cinco anos que judeus eram exterminados em campos de concentração, que famílias alemãs viviam na miséria da guerra sob o domínio do Partido, só ler o
livro a Menina que roubava livro, de Markus Zusak para conhecer um pouco desta realidade, e que milhares de pessoas morriam por todo o mundo. Só que a guerra tinha um fim, pelo menos, era a grande desculpa da vez: a luta contra o nazismo, contra a expansão do Terceiro Reich.

Hitler era o controle do Partido, o ícone, sem ele tudo se tornava enfraquecido. Bastava sua voz para impor respeito, temor, medo a toda uma nação. Então, quem conseguisse chegar a ele, poria fim às atrocidades da
2º guerra mundial. Se fossem os próprios alemães, o respeito à nação Alemã seria restabelecido, teriam o retorno aos valores massacrados pelos pensamentos alienantes da “raça pura”, sem precisarem carregar as sombras deixadas pelo Terceiro Reich.

Poderia ser lírico se pensássemos que atendendo aos pedidos de tantos que deveriam de ter suplicado naquele momento por pessoas corajosas, por heróis, para salvá-los daquele inferno, vieram pessoas de dentro do governo que se opuseram à conduta nazista e se propuseram a arriscar suas vidas em nome de um país que eles acreditavam. Seria ainda mais lírico e heróico se eles tivessem conseguido. Ao contrário, as condenações à morte por traição ao Führer fora o fim destes que seriam os libertadores de todos.

Ora, por que eles não conseguiram? Por que falhou a
Operação Valquíria? Por que alguém afastou aquela bomba de Hitler? Eles estavam lá, tão perto, por que a sorte lhes faltou? Por que se precisou de mais um ano de massacre mundial, para que a guerra se findasse com a tomada dos Aliados e o suicídio do Führer? Por que precisou de mais um ano de crianças e mulheres judias serem incineradas? Por que precisou de mais um ano de fome, miséria e perdas nas famílias atingidas pela guerra? Por que precisou das bombas de Hiroshina e Nagasaki? Seria por que Deus quis? Não, não posso acreditar nisso. Creio que Ele chorou profundamente com tantas dores e lares dilacerados. Não há justificativa pra tanta dor.

Então tentaríamos buscar respostas, porque como humanos que somos, tentamos justificar tudo: era importante o alarde do poder de destruição que as bombas atômicas têm. Será mesmo? Isso não fez com que na guerra fria houvesse uma corrida de armamento nuclear mundial, anos depois. Isso não impede que hoje, às escondidas, os países busquem esta grande arma para obterem respeito e temor. O que houve e o que há hoje é a diplomacia da conveniência política de como administrar este grande perigo mundial.

O fato é que acredito cada vez menos que tantas atrocidades assim estavam de alguma forma nos Planos Divinos. Não precisamos ir tão longe. Dores que dilaceram os nossos corações diariamente: perdas, violência, traições, desrespeitos, usurpadores, falta de idoneidade, impunidade, injustiças, egoísmos, entre tantos outros atos humanos que acabam de certa forma atingindo pessoas do bem. E quem são os causadores, em geral, consegue dormir tranquilamente, viver suas vidas de sucesso, enquanto os atingidos carregam suas marcas por toda vida, e tenta diariamente sobreviver a elas.

Sabe de uma coisa? Cansei deste nosso discurso de darmos responsabilidades que não são a Deus. A gente sempre tenta entender. O fato é que não tem o que entender. Somos muito mais responsáveis por nossas vidas e pelas vidas dos outros que nos cercam, e que de alguma forma ou de outra interferimos, seja de uma maneira boa ou má, do que a Força Divina, quem insistimos denominar.

Não podemos transferir responsabilidades. Não há justificativas Divinas. O que há são atos humanos. Apenas humanos. Alguns, buscando na sua humanidade trazer a eles um pouco de divindade, outros, rendendo-os aos seus próprios egoístas desejos. Não há certo ou errado nas escolhas. Cada qual escolhe viver como se sente bem e em paz consigo mesmo. Contudo, quando as escolhas interferem na vida de outrem, cabe-se a responsabilidade do outro também. Não vivemos numa redoma. Nossos atos desencadeiam marcas. Basta apenas a nós escolhermos que sejam marcas boas ou não em outrem.

Como é difícil e cruel isso, num é? É como seu os nossos sonhos mais pueris se quebrassem. Saber que somente nós estamos a conduzir nossos atos e percebermos que nossas quedas não têm um porquê específico dói muito. Admitirmos nossas perdas, nossas marcas, nossa solidão como apenas consequência de nossa humanidade nos assusta.

É claro que mentiria se não dissesse que não sinto a Mão Divina em mim. Seria ingrata com meus Anjinhos da Guarda que por tantas vezes me conduziram quando nem eu mesmo conseguia fazê-lo. Sentindo sempre a bondade de Deus, Seu amor, Sua providência, Sua proteção neste meu caminhar. Euzinha, tão pequena, ínfima nesta imensidão dos universos, e ainda poder sentir tamanha doçura e cuidado! Ai... Ai, como é lindo! Só que seria injusto transferir minhas marcas, por causa de um porquê Divino. Seria injusto condená-Lo por não evitar minhas marcar, ou pelo menos, por não evitar que doam tanto.

Estão livres agora todas as Divindades a quem acorrentamos com nossas responsabilidades! Cada qual mantém sua Fé, seu Amor e seu Temor à sua respectiva crença. Mas Elas se encontrarão livres de nossas correntes! Anistia a Deus!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

You and I - Scorpions


You and I

Scorpions


I lose control because of you babe
I lose control when you look at me like this
There's something in your eyes that is saying tonight
I'm not a child anymore, life has opened the door
To a new exciting life

I lose control when I'm close to you babe
I lose control don't look at me like this
There's something in your eyes, is this love at first sight
Like a flower that grows, life just wants you to know
All the secrets of life

It's all written down in your lifelines
It's written down inside your heart

You and I just have a dream
To find our love a place, where we can hide away
You and I were just made
To love each other now, forever and a day

I lose control because of you babe
I lose control don't look at me like this
There's something in your eyes that is saying tonight
I'm so curious for more just like never before
In my innocent life

It's all written down in your lifelines
It's written down inside your heart

You and I just have a dream
To find our love a place, where we can hide away
You and I were just made
To love each other now, forever and a day

Time stands still when the days of innocence
Are falling for the night
I love you girl I always will
I swear I'm there for you
Till the day I die

You and I just have a dream
To find our love a place, where we can hide away
You and I were just made
To love each other now, forever and a day
OBS: Esta música reascendeu algo que estava perdido no meio dos meus medos, das minhas marcas... espantou aquela neblina que não deixava brilhar na sua totalidade o que de belo batia em meu peito... aquele sentimento do amor inocente, cheio de vontade de amar. Resgatou aquela sensação gostosa das belas paixões juvenis, que nos arrepiam, que nos fervem, aquelas que desbravam nosso peito sem medo, sem marcas, sem dor, apenas amor. Talvez destino, talvez providência, o fato é que este momento marcante aconteceu num casamento quando o noivo pegou o baixo e junto com a banda formada por seus amigos e seu irmão invocaram a magia da poesia regada das batidas fortes e rômanticas do rock para sua amada esposa que se deleitava com eles. Ali não se importava convenções sociais. Eram apenas eles. Um para o outro. Sendo eles mesmos. Simplesmente inesquecível.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Manifesto contra o fim do diploma

Venho fazer uma rápida menção à minha indignação quanto ao desrespeito que sofreu a classe de Jornalismo.

Já sabido a antiga briga sobre as qualificações exigidas para o exercício da profissão, enfim o STF derrubou a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para exercer a função.

Não sou jornalista, mas tive a oportunidade de acompanhar esta classe mais de perto. Além de ter uma das bases salariais mais baixas do mercado, agora sofrem mais uma desvalorização. Na verdade, é uma profissão verticalizada, quem ganha bem ganha valores exorbitantes, como grandes nomes do meio, em compensação, um profissional normal no mercado ganha em média o que um técnico ganha.

Infelizmente, as áreas de educação, de humanas e saúde ainda não são devidamente reconhecidas em nosso país.

O que mais me assusta é o fato de que esta decisão vai contra tudo que foi conquistado até então: a regulamentação das profissões. Essa decisão abre portas para o caos e pode desencadear uma série de medidas descabidas em todas as áreas. É o começo do retrocesso. Antes, quando uma pessoa era técnico de raios-x não havia curso, então a profissão era passado de pai pra filho. Quando foram feito os cursos, pôde-se então cobrar e fiscalizar todos os profissionais, para que fossem regulamentados, assegurando melhor quem recebe o serviço prestado. Imagine se depois desta conquista, retrocedessem? E a classe de atores, que vive este dilema frequentemente, quando BBB's da vida acham que podem exercer a profissão sem nunca terem feito um curso na área. São exemplos e mais exemplos.

É claro que há exageros, que cada profissão quer abranger o máximo que pode de seu campo de atuação. Quem não se lembra o quanto os fisioterapeutas tiveram de lutar para que a classe médica "largasse o osso"? E por aí vai.

Talvez a hipótese de que para exercer funções co-relacionadas com a área, a pessoa não precise especificamente estudá-la, como por exemplo, a de comentarista no jornalismo, seja uma boa opção para análise. Assim não estaríamos trabalhando nos extremos.

O importante é que haja o bom senso para encontrar um equilíbrio.

Com certeza, essa decisão não implicará diretamente à classe, porque as empresas de peso do mercado têm um nome a zelar e por isso, buscarão manter e contratar profissionais qualificados. No entanto, gerará um caos de jornalistas de fundo de quintal. E pior ainda, imagina que se o jornalismo sério já é tendencioso, mesmo que de uma forma subliminar, imagina quando a técnica não for aplicada e a tão idealizada e estudada ética não tiver mais parâmetros?

Todo profissional deve ter a qualificação necessária para garantir o exercício com qualidade. Todo bom profissional sempre terá seu lugar no mercado de respeito.

Oração do Amigo


Achei tão lindo este pps que recebi, que não resisti e aqui está a Oração do Amigo, de autoria do Gabriel Chalita.

Deixo aqui minha humilde manifestação de amor a todos os meus amigos fiéis. Aos meus amigos para cada momento, das mais diferentes tribos, e que trouxeram a beleza da diversidade e do sentimento verdadeiro de amizade no jardim da minha vida.


video

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Distorções da fé

Seguindo o pensamento do post Distorções dos valores do amor, deste amar sem esperar é que gostaria de citar outro paradigma que muito me incomoda. A necessidade das pessoas de amar em troca de algo. As pessoas buscam uma fé para obter algo em troca. Fazem barganha com Deus. Sou fiel à Sua fé, mas Você terá que me dar isso. E assim por diante. É comum ver as pessoas negociarem sua fé, e assim, vão trocando de religião, à medida que conhece outra que mais lhe oferece.

Não estou dizendo que não tenho fé, e que não peço coisas. Sim. Tenho fé. Só que a minha fé não se apega ao que ela me pode proporcionar de benefícios. A minha fé está baseada no amor. A minha fé está fundamentada na paz e no bem. Posso pedir muito algo. Posso ficar indignada quando algo muito triste me acontece. Posso ficar decepcionada quando perco. Posso me sentir frágil e vulnerável com as perdas. E mesmo quando estou fraca demais pra pedir, conformada demais para acreditar, machucada demais para sentir, uma Força me move e me conduz para atravessar aquela tribulação, e quando penso que não consigo mais, Ela me repousa numa bonança. Esta Força eu chamo de Deus. O Deus que eu acredito. O Deus amor.

Professo a religião católica. Tenho senso-crítico dos erros humanos que ela cometeu. Assim, como qualquer fé ou religião, há erros, porque são conduzidas por pessoas. Por isso nossa fé não deve se prender ao ser humano, justamente por ser falho. Qualquer forma de Poder cega quando a vaidade e a soberba são fomentadas. Por isso é tão importante focar a fé no que aquela religião/seita /filosofia professa. Os dogmas e os ritos que elas realizam. Conhecer profundamente a essência desta fé e ver se esta acalma teu espírito, repousa teu coraçãozinho e te deixa em paz com você e com as pessoas à sua volta. Por isso, não importa o que você escolhe acreditar e como decide viver. Importa é como você se sente sinceramente preenchido e bem ali. E importa o quanto você respeita as diferenças e as escolhas de cada um. Se sentindo em paz e transmitindo paz e bem, pronto.

Conhecendo um pouco da filosofia do livro "O segredo", da autora Rhonda Byrne, em que a lei de atração do pensamento seria capaz de definir a vida das pessoas, posso dizer que se enquadra bem no que quero trazer a este pôst. Atraindo milhares de seguidores pela filosofia do ter, do consumismo, alienando-os a uma cômoda e superficial vida. Só que sabemos que só o pensar-desejar não resolve nada, pode estimular a pessoa a agir para conseguir aquilo que deseja, mas se a pessoa só ficar no pensar será tão estéril tão quanto a pessoa agir sem acreditar. A combinação do acreditar e fazer para tentar acontecer seria o caminho. Só que falar para as pessoas agirem não é tão atrativo. Tirá-las de sua inércia não vira best-seller. Mas oferecer um caminho fácil, do menor esforço vira frisson em nossa sociedade contemporânea.

Similar a isso vi no filme Desafiando Gigantes, quando um técnico fadado ao fracasso em sua vida pessoal e profissional se apega em Deus, e ali, ele e sua esposa, sendo fiéis à fé que professavam e mudando radicalmente seus estilos de vida viram suas vidas mudaram de fel pra vinho. Graças e mais graças. Barganhas e mais barganhas.

No Cristo é o show do ano passado, em Belo Horizonte, estava eu com minha mãe, e acompanhando as várias apresentações uma coisa me incomodou. A excessiva necessidade de mostrar as graças e graças recebidas. Testaram o Poder de Deus até para curar a dor de ouvido do filho de um deles. Nestes momentos que penso o quanto Deus é misericordioso! Ele pode até se sentir ofendido por ser tão vendido assim, mas mesmo assim Ele concede, por Sua infinita bondade, por saber que por mais que pensemos que sabemos, nada sabemos, e por nos envaidecermos, mesmo sendo tão pequenos. E assim se seguiram os shows. Curas e graças a todo o tempo. Então, sabiamente entra o Padre Fábio de Melo, e a primeira coisa que ele fala ao iniciar seu show foi mais ou menos assim: "mesmo quando não se vê milagres, mesmo quando não percebemos a Sua ação, Deus está ali." Pronto. Aquilo era a confirmação que eu precisava. Eu não podia ser a única naquele estádio que pensava assim. Eu não podia estar tão errada em pensar em um Deus que se manifesta nas pequenas coisas, que não precisa de estardalhaços e purpurinas para mostrar sua grandeza. Um Deus simples. Um Deus de amor. E ao ouvir estas palavras, senti a confirmação de Deus, acalmando meu coraçãozinho.

Meu pai sofreu 06 meses com um câncer de pulmão que se espalhou pelo corpo. Durante meses pedi muito a Deus sua cura. Já no seu findar, eu percebi que não era a vontade Dele. Então pensei que o maior milagre já tinha acontecido com a doença do meu pai: a união da família. Não precisava mais nada. Acredito que para acontecer uma mudança drástica de uma ordem natural deve-se ter uma razão muito grande. Por isso tantos milagres e curas já aconteceram e acontecem. Então as pessoas maquiavélicas, dispostas a "converter" as pessoas fragilizadas com as perdas tentam atribuir o não milagre à fé que aquela pessoa tem. Assim, vendem o "peixe" da sua fé. Na minha Igreja com certeza seu filho vai sair das drogas, seu marido vai parar de te trair, você vai arranjar emprego, sua avó vai se curar, seu cachorro vai parar de urinar pela casa e assim vai. Pobres pessoas. Tanto as que se convencem desta "verdade", tanto das que as manipulam. Pobreza de espírito. Não é uma Instituição que faz com que Deus cure ou não. É a fé. E mesmo, por vezes, quando
se pediu com fé e nada aconteceu, não é porque a fé era pouca, mas porque não fazia parte dos Planos de Deus para aquele momento, ou, talvez, porque as pessoas não estavam prontas ou despertas para receber o milagre.

E então, culpa-se a Deus. Eu também já me senti muito ressentida com Ele. Não pela morte do meu pai, porque entendi que fazia parte da ordem natural da vida. Não por algo que "barganhei". Mas por uma perda que pra mim teve um significado bem maior, não que tivesse maior importância que meu pai, nada disso, mas pelo simples fato de não ter tido o consolo da conformidade da morte. Uma perda de algo que muito acreditava e zelava. Casamento é algo muito sagrado pra mim. E o dessacralizaram. O perdi pro mundo. Ora, por que Deus permitiria isso? Racionalmente eu sei que não foi Deus que fez isso acontecer. Assim como não é Deus que põe a droga na mão dos filhos, a chave do motel para os amantes, o cigarro na mão da avó doente de câncer, e por aí vai. Mas mesmo assim, insistimos em punir Deus. Assim, como barganhá-Lo. Ele podia ter quebrado a perna dele quando ele ia comprar a droga, ou quando ia sair com a amante, ou quando ela foi comprar o cigarro. Mas e o livre arbítrio? A nossa tão amada liberdade? Deus apenas respeita nossas escolhas. Ele manda sinais. Desde os mais sutis até os mais berrantes, só que Ele sabe que não importa quantos sinais Ele mande, porque se o coração estiver longe demais Dele, nunca serão percebidos. E mesmo assim, Ele acredita em nós e continua a enviar os sinais, até que um dia, os escutemos.

Sei que por mais que racionalmente sabemos que, por muitas vezes, passamos por momentos na vida que precisam ser passado,
sem nos pouparmos, estamos tristes e frágeis demais para conformar e aceitar isso. Por isso, sempre é tempo de reconciliarmos com nossa fé., seja ela qual for. Voltarmos nossos coraçõezinhos para aquilo que acreditamos. Vivermos o que nos equilibra e nos edifica. Por conseguinte, neste retorno sempre recomeçamos mais amadurecidos, e se em outrora, se viveu uma fé vazia, de conveniências, nada justifica a insistência de manter uma fé de barganha, um amor de favores e trocas, um ouvir e viver só que nos interessa e nos é cômodo.

Respeito, Paz e Bem para todos!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Kings and queens that trap us


The world is full of kings and queens, who blind your eyes and steal your dreams.



A frase é da música Heaven & Hell do Black Sabbath, e me instigou a fazer esta postagem.

Quantos reis e rainhas que usurpam a liberdade do outro. Quantas vezes fomos nós os usurpados? Quantas vezes fomos os usurpadores?

A cada dia temos a escolha de sermos edificadores ou destruidores da vida do outro.

Quem lhe rouba a paz? Quem lhe rouba de si?

Em outro post, Roubo das subjetividades, citei trechos do excelente livro do Padre Fábio de Melo, Quem me roubou de mim, que trata justamente destes reis e rainhas da música do Black Sabbath, e de como nos permitimos ser aprisionados por eles.

Até o que se diz mais esperto, ou o mais dono de si pode um dia se deixar envolver assim, e sem perceber, se prender nas teias das viúvas negras, prontas para se alimentar da felicidade de outrem.

Sempre sabemos de histórias reais à nossa volta, ou vemos na ficção. O fato é que sempre houve e sempre haverá Cleópatras, Leonardos, Ivones usurpadores. E sempre terão Júlio Césares e Marco Antônios, Catarinas, e Rauls como usurpados.

Estes eram inocentes? Desprovidos de domínio de si? Desprovidos de informação? Não. Apenas se permitiram submeter,
de forma tão bem dissimulada e sutil, capaz de nem perceberam as suas brechas de fraquezas, por onde manipulavam esses maquiavélicos dominadores.

Os dominadores eram loucos, desequilibrados? Talvez, como vários casos conhecidos, como o pai austríaco que prendeu a filha por 20 anos, ou a jovem que ficou aprisionada por 08 anos em Viena, que chegaram ao extremo de cárceres reais. Contudo, as prisões da subjetividade deixam marcas profundas na alma. Só que por muitas vezes as pessoas simplesmente não percebem o mal que estão fazendo, por estarem profundamente embriagados pela vaidade do poder. O poder de subjugar alguém, de submetê-lo aos seus caprichos os deixam entorpecidos. Se eles foram sempre assim? Talvez. O fato é que eles não são assim, não é algo irrevogável, eles se tornaram assim, a partir do momento em que eles alimentaram este lado neles, como no post Cultivar a paz e o bem: a começar pelo que eu alimento
.

A todo instante somos convidados a nos aprisionar por algum rei ou rainha. A todo instante temos a oportunidade de sermos este rei e rainha, e aprisionarmos alguém. A escolha é diária. E dar o direito de escolha também o é, como eu retratei no post Liberdade.

Contudo, escolher edificar o outro sempre requer mais trabalho, menos reconhecimento e por muitas vezes passar por desrespeitos e desconsiderações. Contudo, como vamos dormir? Como conseguimos dormir em paz? Certa vez ouvi de uma pessoa: pelo menos eu vou olhar pra trás e vou ver que dei o melhor de mim. Sábias palavras!

O amor é livre. Toda forma de amar deveria ter como princípio a liberdade. O sentimento de paz e tranquilidade em saber que diariamente a escolha é só sua de amar aquela pessoa, de estar com ela, e vice e versa, e assim, querer permanecer ali, em sua forma plena, sincera e verdadeira. Não é porque eu o gerei é que ele deve ter a obrigação de me amar. Não é porque Deus me deu a vida que devo ter a obrigação de amá-Lo. Não é porque ele se casou comigo que tem a obrigação de me amar. Não é porque ele me ajudou naquele momento difícil que tenho que ser seu amigo. Amo-os e sou amada por eles, porque optamos livremente por isso. Porque o amor só pode ser assim. Leve. Sincero. Fiel. Inteiro. Entregue. Como posso amar inteiramente se me divido? Como posso ser entregue se sou acorrentada? Como posso ser sincera se sou julgada? O amor nos permite sermos nós mesmos com o outro, e ainda assim, sermos amados. O amor nos permite escolher amar o outro, do jeito que ele o é, diariamente. O amor edifica. O amor restaura. O amor conforta. O amor consola. O amor acalma. O amor pode ser tudo de belo, se o deixá-lo ser livremente amor.

Não estamos condicionados a sermos sempre usurpadores ou usurpados. Eu escolho a liberdade! Eu escolho o amor. E você?

OBS: Obrigada Ubaldo, por ter me cedido a sua frase de inspiração do msn.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Distorções dos valores do amor

Já faz um bom tempo que me deparo com situações que me deixam indignada, e por vezes, muito triste. Primeiramente, quero deixar claro que eu respeito a opinião de cada um. Só que me deparo com formas de pensar muito longe do que acredito e vivo na minha vida. Eis a razão deste meu pôst. Perdoem-me se minhas palavras não forem tão suaves como esperam. Apenas derramarei a forma como penso. Não se sintam ofendidos! Porque não é esta a minha intenção. Podem comentar ou criticar, justamente porque não sou a dona da verdade, e não estou aqui para impor uma. Apenas, peço o mesmo respeito que dispenso quando não concordo com o que me falam. Para não me alongar muito num pôst só, já que não consigo mesmo falar em poucas palavras sobre este assunto, vou separar em duas temáticas, que a princípio falaria juntas: distorções dos valores do amor e da fé. Neste, vou me focar no amor.

Infelizmente, é visível, e por vezes, risível, as distorções que cercam um tema tão presente em nossas vidas, o amor.

O pior é que se viesse apenas da televisão, como ouvi na novela Caras e bocas, pela personagem Laís: Já vou fazer 30 anos e ainda não casei nenhuma vez!, eu até entenderia, porque na TV, é vergonhoso, mas real, o fato de não termos muito o que absorver de bom. Contudo, ouço a todo tempo, indiferente do meio em que me encontro, mentalidades assim, e o que mais me assusta é quando vem de pessoas com um grau de instrução maior, capazes de ter um certo senso crítico que não se submetam a este senso comum. No entanto, sou metralhada com uma bateria de pensamentos que vão contra tudo que acredito: "Nossa, a melhor coisa que aconteceu depois do casamento foi a minha liberdade, por não ter que prestar contas dos meus horários pros meus pais." "Você se separou e não guardou as fotos de você vestida de noiva? Nossa, eu guardaria. " "Estou chateada com meu namorado porque ele me criticou por querer casar na igreja, mesmo eu indo à igreja apenas em eventos sociais. " "Filho foi a única coisa que não conquistei ainda. Não quero mais um marido, quero um filho. " "Você se separou, mas pelo menos se casou, vestiu de noiva, coisa que eu ainda não fiz." "Quero casar, mesmo que não dê certo, apenas para ter alguém que me quis um dia". Entre tantas outras.

Começando, falando sobre o casamento. O casamento é o sacramento do Amor entre duas pessoas, independente de qual religião ou fé elas professem. Indiferente se são casados no papel ou não. A vida conjugal não precisa de rótulos, de papel ou de ritos quando duas pessoas se respeitam e se amam. A primeira concretização deste sacramento tem que acontecer no coração do casal, depois vem as formalidades. E é justamente o que não acontece. Preparam-se as festas, os ritos, e quando vem a vida real do casamento, sem púrpuras, o casal simplesmente não preparou o coraçãozinho para suportar os momentos que virão, sejam eles bons ou não.

Aprendi a importância que se tem primeiro casar o coração, depois todo o processo virá como consequência, e se tornará mais leve, por mais pesado que se pareça o fardo. Outra coisa que aprendi às duras penas: uma relação depende de como os dois a cultivam, e a gente nunca vai saber ao certo como o outro a cultiva, apenas sabemos o que sentimos através do que eles nos passa, então, dê o melhor de si, e seja sempre você mesma, e se sentirá em paz sempre.

Quem ama cuida. Quem ama respeita. Quem ama quer fazer o bem. Quem ama protege. Quem ama educa. Quem ama, compartilha. Quem ama vive a cumplicidade das superações e perdas dos desafios diários. Quem ama, vive a verdade e a sinceridade. Quem ama, constrói. Quem ama, escolhe amar cada dia. Casamento é um SIM diário. É uma escolha diária.

Fica fácil perder-se perante tantas ofertas, tantas dificuldades, tantas diferenças. Perder o foco é em geral a principal fuga que o casal tem quando se concentra mais nas razões para não manter a relação, nas coisas que não são boas, nas dificuldades, nas diferenças, nas esperas, do que nas razões que um dia os levaram a dizer um SIM, que os levaram a escolher aquela pessoa, ao seu lado, para a vida toda.

Para melhor entendimento do termo sacramento que citei, encontrei no link, tal descrição: A palavra sacramento é uma adaptação latina – sacramentum – do termo grego Mysterion. Daí podemos perceber que sacramento tem relação direta com mistério. É um mistério à razão humana. Sacramento também, significa sinal. Sinal misterioso. Define-se sacramento como: “Sinal sensível, de uma realidade invisível”. É algo que podemos perceber através dos nossos sentidos (visão, audição, paladar, tato e olfato), mas que exprimem uma realidade transcendente, ou seja, algo que vai além daquilo que vemos.

Se a pessoa não vive uma fé em alguma religião, por que então casar nesta Igreja? Apenas porque socialmente é assim que as pessoas fazem. Criticamos tantos hipócritas, mas nesses momentos agimos como eles. Cedemos à vaidade da sociedade. Certa vez tive a infelicidade de presenciar um casamento em que declaradamente a noiva estava aquém de tudo o que o padre ali celebrava, ao ar livre. Ela interrompia o padre, e já queria ir direto para a parte de trocar as alianças. Ela não entendia o rito ali celebrado. Então, simplesmente, preferi voltar pra minha mesa, e não presenciar mais aquela cena que para mim, não tinha fundamento algum. A noiva estava declaradamente fazendo apenas a vontade de seus pais, e nem tentava esconder, ou ao menos, respeitar isso, já que ela optou viver este rito. As pessoas pensam que casamento é como destes romances, novelas, que tem que passar por estes protocolos para serem felizes para sempre ou apenas gostam dos pontos altos do rito, como a troca de alianças e o Sim, não importando como chegar até a eles. O problema é que vejo isto a todo instante. Pessoas que se declaram ateus e se casam professando alguma fé. Pessoas que não vivem ou tentam conhecer mais alguma religião, mas criticam afiadamente tudo à sua volta, sem se envolver a nada, mas quando vão se casar, lá estão pedindo a benção.

Não estou defendendo fé com viseiras! Pelo contrário. Temos que ter senso crítico em tudo na nossa vida. Contudo, só criticar é tão estéril tão quanto só obedecer. Quando você se envolve em algo, você está conhecendo de perto aquela realidade, e poderá, assim, atuar de alguma forma para melhorá-la.

Por que a necessidade de se casar? O casamento é uma consequência do amor vivido entre duas pessoas. Casar só para se sentir desejada por alguém. Casar só para vestir um vestido. Sinceramente, isso não é conto de fadas. Existem vidas envolvidas que por atos infantis e imaturos podem dilacerar o coração e a alma do outro.

Assim como casar apenas para ter liberdade. Ora, vá morar sozinho! Arranja um curso ou um trabalho em outra cidade, caso seus pais não aceitem que você more na mesma cidade longe deles. Mas a vida conjugal é muito mais ampla que este conceito. Certa vez ouvi uma das melhores definições de casamento, de um colega de trabalho, que após 10 anos de namoro, e ao retornar ao trabalho, ele nos disse: a melhor coisa que tem na vida é acordar todos os dias do lado da pessoa que se ama! Este é o conceito que acredito. A simples forma de amar. Sem maiores estardalhaços ou parafernálias. Simples, como o amor deve ser vivido, sentido, amado.

Hoje li uma entrevista interessante do ator Matthew McConaughey que ele dizia: Acho que foi o ex-presidente Abraham Lincoln que disse que o melhor exemplo que você pode dar aos seus filhos é mostrar a eles como você trata e ama a mãe deles. E eu amplio um pouco esta frase: se você ama, doe o melhor de si, e se sinta em paz.

Assim também como o casamento é o Amor Sacramental entre duas pessoas, os filhos são, consequentemente, frutos deste amor. Filhos deveriam ser consequencias, não causa de uma relação.

E direi o mesmo que disse acima sobre casar para batizar um filho: batize primeiramente o seu coração e depois batize seu filho. Ouvi uma verdade do padre numa missa, em que ele relatava que as famílias, em geral, estavam mais preocupadas com os preparativos pós batismo, como os almoços familiares, do que com a importância daquele momento ali celebrado. Batizado, de sacramento, passa a ser apenas mais um evento social. A dessacralização da fé.

Realmente é divino ver aquele ser tão pequenininho inundar um lar de felicidade. É belo ver pedacinhos de nós ali, projetados pela consequência do nosso amor. Contudo, ter um filho apenas porque é apenas mais um etapa da vida, ou apenas para não ser recriminado socialmente, ou porque a vaidade humana lhe faz querer um ser igual à sua pessoa, é um ato totalmente egoísta. Compartilhar o amor que nos transborda com um filho é um ato natural, assim, como dividimos diariamente nossa atenção, nosso cuidado, nosso amor com o mundo à nossa volta. Agora, se somos apáticos com as pessoas ao nosso redor, como esperamos ser diferente com um filho? Agiremos da mesma forma fria e distante. Então por que tê-los? Se nosso coraçãozinho se enche de ternura e de compaixão pelos seres vivos, desde os mais simples, como não o terá com um filho seu. Se conseguirmos encher-nos de amor, nos despindo de todos os pré-conceitos (é proposital a forma descrita, porque antevêem as formas de preconceito) sociais do que é belo ou não, do que é aceito ou não, e assim por diante, estamos diante de um amor capaz de aceitar e se apaixonar pelo outro, da forma como ele é, da forma como ele vem. Se for vindo de nosso próprio ventre, se for adotivo. Se for formoso ou melindroso. Se for independente ou se necessita de cuidados especiais. Se for branco ou se for negro. Agora, se estamos diante destes velhos estigmas sociais, torna-se cada vez mais difícil o amor doação, o amor sem esperar.

Contudo, definitivamente não há fórmulas para as relações dar emcerto, nem como acontece o despertar para o resgate dos valores, principalmente, o valor do amor. Pessoas que antes eram totalmente gélidas e egoístas começam a se importar e se tornam os pais mais cuidadosos e amorosos do mundo, com a chegada de um filho. Casais precoces ou imaturos, que conseguem se fortalecer e crescerem juntos. Pessoas antes que não sentiam vontade de viver, hoje se encontram inundadas de felicidades e planos. Ateus que começam a professar alguma fé. Por isso não julgo. O contrário também acontece, infelizmente. Contudo, não importa como começou, mas como se tornou depois. Este se tornar que vem do que se foi alimentando e trabalhando em si e ao seu redor, à medida que sentia, e consequentemente, definia a importância de cada um em sua própria vida e a de si mesmo.

Não somos obrigadas a seguirmos o padrão: nascer-crescer-estudar-trabalhar-casar-filhos-netos-morrer. Não somos obrigadas a viver o que a sociedade espera que nós vivamos. Temos apenas que estar em paz com nós mesmos, com as nossas escolhas. Contudo, independente da escolha a ser feita, que a façamos com amor, o amor voluntário, verdadeiro, que não espera nada em troca, e que o façamos com sinceridade.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

Academia e sociedade


Incrível como este artigo, deste link, vem de encontro ao que sempre pensei, e infelizmente, em alguns momentos presenciei.
Por isso transcrevo-o abaixo, integralmente.

Como tenho formação técnica e estou em formação acadêmica para pesquisas da minha área, vejo como necessário romper estas barreiras entre o que se pesquisa e o que se aplica na sociedade. Romper com os orgulhos e alter-egos alimentados. Contudo, um outro ponto também muito importante, que não foi relatado neste artigo abaixo, é a visão da sociedade e do governo quanto ao valor das pesquisas, porque uma pessoa graduada que se dedica integralmente à área de pesquisa recebe uma bolsa miserável, além de não ter os mesmo direitos da CLT, como férias, 13º salário, FGTS, nem auxílio saúde, vale-transporte e vale-refeição, se tornando desmotivante ingressar nas linhas de pesquisa. Eu mesmo ainda não posso me dedicar exclusivamente, e por isso, render mais em minha pesquisa, porque com o que se oferece de bolsa, não há como viver dignamente, sem a ajuda dos pais ou de outrem.

Não há favores! A sociedade precisa dos estudos do pesquisador, assim como pesquisador está a serviço da sociedade com seus estudos. É esta consciência que devemos buscar. Não há distinção entre os dois universos, há trabalho em conjunto! Para que assim, um não seja estéril e o outro paralítico!


A academia de costas para a sociedade

Por Carlos Nepomuceno

A academia está dentro da sociedade e só faz sentido quando se relaciona com ela de forma intensa. Isolada (como prefere ficar) é apenas mais uma fonte de despesas e barulho.

Fonte: Webinsider - 23/01/2009

Nós não somos estudantes de uma matéria qualquer, mas estudantes de problemas - Karl Popper.

Toda a Ciência tem um ponto de partida.

Nasce da necessidade de resolver um problema humano. Uma impossibilidade que nos leva a estudar determinado assunto.

A partir desse ponto, inventamos equipamentos (telescópios, microscópios, máquinas de raio-x) que nos permitam detalhar os objetos.

Ou inventamos ferramental teórico que nos permita compreender o que se passa e o que provavelmente acontecerá. E como podemos nos preparar para conviver com estes fatos.

Nessa linha, existem objetos inacessíveis às tecnologias atuais (o material do solo de outros planetas, por exemplo) e fenômenos novos como a Aids ou a internet, que abrem novos campos de estudo.

O problema original, entretanto, se desdobra em diversos outros e nesse caminho é normal que o problema a ser resolvido torne-se secundário em um processo virtuoso.

Existe também, o que é mais comum, que o problema fique cada vez mais distante e, por diversos fatores burocratizantes, a própria Ciência se transforme de solução em problema.

O cachorro que deveria saber onde está o rabo, virou o rabo atrás do cachorro.

Burocratiza-se a Ciência, que passa a ser um “Ministério”, com seus carimbos, burocratas, normas, regras e leis, que supostamente defendem a inovação mas muitas vezes acabam tendo o efeito contrário.

Passam anos discutindo os detalhes, sem ir ao âmago da questão, em um processo claro de neurose científica.

Me alinho com Edgar Morin quando no livro Cabeça bem-feita defende uma nova cultura científica, que resgate o sentido de orientação para a condição humana.

Não há nada pior do que uma academia fechada nela mesma, com a cabeça cheia sem conseguir articular aquele conjunto de autores de tal forma a contribuir de alguma forma com a sociedade.

A academia está dentro da sociedade e só faz sentido quando se relaciona com ela de forma intensa. Isolada (como prefere ficar) é apenas mais uma fonte de despesas e barulho.

Os problemas são uma dádiva para quem estuda. Eles ajudam a organizar o pensamento, dão um sentido de realidade às nossas viagens e nos fazem situar determinado conceito no geral das coisas, evitando a “acumulação estéril”, definida assim por Morin:

“Onde o saber é acumulado, empilhado, e não dispõe de um princípio de seleção e organização que lhe dê sentido”.

Morin defende, assim, uma educação e, por sua vez, uma Ciência que nos oriente para os problemas fundamentais de nossa própria condição e de nossa época.

O isolamento da maior parte de nossa academia, perdida nos seus falsos problemas egóicos, cria-nos ruídos. Quem deveria ajudar muitas vezes, atrapalha.

É um pouco o que diz Marcos Cavalcanti, quando defende um novo sentido para as pesquisas acadêmicas com a sua sensacional e emblemática estória do Ronco do Boi, sobre a incapacidade do sistema brasileiro de ciência e tecnologia de transformar conhecimento em valor.

Um pesquisador que estudava o ronco do boi, quando perguntado sobre o motivo da pesquisa, simplesmente respondeu: “porque eu estou a fim”.

Cavalcanti defende que “a universidade não pode continuar de costas para a sociedade, pesquisando só o que interessa aos pesquisadores”.

Eu complemento dizendo que a universidade pode criar sim problemas, está ali para isso, mas que ajude a sociedade a resolver os seus. E não criar uns tantos falsos e estéreis a seu bel prazer, financiada pela sociedade.

A arte está em fazer com que ela se aproxime da realidade com sabedoria e liberdade em um processo inovador e criativo, envolvendo todos os atores, não apenas os “de dentro”.

É preciso resgatar a ideia original da academia: um conjunto de estudiosos empenhados em melhorar a vida sobre a face da terra, reduzindo, ao máximo, o que é estudo do próprio umbigo. Concordas?

Carlos Nepomuceno - nepomuceno@pontonet.com.br - é professor, pesquisador e co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus), coordenador do ICO, Instituto de Inteligência Coletiva e diretor da Pontonet. Mais dele no blog CNepomuceno e no Twitter.

Link: Webinsider

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Revista Nova escola: um livro oferecido em vez de esmola!


Uma coisa q sempre me surpreende é o quanto de livros há em nossas casas que não dividimos com as outras pessoas! Eu mesmo tenho alguns, e não me acanho em dizer que quero logo ter minha biblioteca particular. Um espaço de "novos horizontes"! Mas não a vejo como algo estático e empoeirado numa estante. Não a quero assim, isso seria apenas a "cultura do ter" da sociedade atual. Não, ela será viva e vai passear em todos os corações que estiverem dispostos a recebê-la. Hoje, já tenho o hábito de emprestar meus livros para amigos e vizinhos. Livros que ainda nem tive tempo de ler. Livros que me inspiraram e marcaram. Livros que me encantaram e emocionaram. Livros que expandiram os horizontes de meu mundo, e principalmente, da minha forma de pensar. E sempre quando me devolvem - sim, podem pensar que é mentira, mas nestas andanças pelo caminho, todos retornaram, e não vieram sós! Vieram com o brilho dos olhos de quem o degustou! - trocamos nossas impressões e comentamos este "universo". É muito interessante como cada qual "recebe" o livro no seu coraçãozinho. Cada qual com suas peculiaridades e diversidades. Cada qual com sua consciência e visão humana.


É bom semear cultura! Semear coisas boas, que acrescem e que edificam! No mundo já há tanta coisa que nos leva à escuridão, à aflição, ao corrompimento de valores, à frieza, ao egoísmo, à "bestialização", à superficialidade e à alienação. Podemos fazer a diferença, até em nossos pequenos atos do dia-a-dia!

Simplesmente transcrevo esta matéria, encontrada neste link, que muito me instigou a estar aqui compartilhando no blog. Sempre há uma forma de fazer um mundo melhor, mesmo que seja a partir de um único livro.

Revista Nova Escola: Gestão Escolar

Edição 221 | Abril 2009

Vale mais que um trocado

Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi

Rodrigo Ratier (rodrigo.ratier@abril.com.br)

CAMINHO LIVRE A cada livro oferecido em vez de esmola, um leitor descoberto.
Foto: Rogério Albuquerque.

"Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?" Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão. A ideia surgiu de uma combinação com os colegas de NOVA ESCOLA: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse - e conferiria as reações.

Para começar, acomodei 45 obras variadas - do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier - em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais.

Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor*, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:

- Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro - "Esse do castelo, que deve ser de mistério" - para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela*, 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a 1 real uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da avenida Tiradentes, no centro. Fiz a pergunta de sempre. E ela respondeu:

- Hum, depende do livro. Tem algum de literatura?, provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico*, 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro:

- Sabe ler?, perguntei.

- Não..., disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta:

- Sim. Sei, sim.

- Em que ano você está?

- Na 4ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos?, indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.

Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura. Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro...

- Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria*. Carregava a pequena Vitória*, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria.

* os nomes foram trocados para preservar os personagens.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pátria Minas

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Momento de nos deleitarmos com esta terra tão linda e aconchegante como a nossa Minas Gerais!

Amo respirar e viver nesta terra das montanhas, vales, cachoeiras, cidades históricas, museus, praças, parques, ruas de pedras, casarões antigos, fachadas coloniais, igrejas barrocas, capelas, procissões, fogão de lenha, pão de queijo, bolo de fubá, biscoito de polvilho, tropeiro, torresmo, tutu, macarronada, farofa, queijo minas, costelinha com canjiquinha,"ora-pro-nobis", pinga, festival de boteco, música caipira, festival da cachaça, circuito alternativo cultural, festival popular de teatro, tambor mineiro, congado, festival de coral, música ao luar, festival de inverno, barraquinhas de igreja, festas regionais, festas de São João, festas de Rodeios, festas dos padroeiros.

Segundo este link, este vídeo é um clipe da música Pátria Minas, gravado ao vivo, por Marcus Viana e Transfônica Orkestra no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, tendo edição e finalização de imagem: Mariana Bontempo.

sexta-feira, 27 de março de 2009

60 minutes: Earth Hour!

A "hora do planeta" será realizado dia 28 de Março, às 20h30, no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a apagar as luzes para demonstrar sua preocupação com o aquecimento global. O gesto simples de apagar as luzes por sessenta minutos, possível em todos os lugares do planeta, tem como objectivo chamar para uma reflexão sobre a ameaça das mudanças climáticas.


Este gesto já vem sendo feito há 2 anos, e começou em Sidney, como mostra no vídeo abaixo, e hoje mobiliza todo o mundo.


No site oficial, neste link aqui, você sabe mais do projeto, e ainda pode participar de toda a estrutura virtual montada para dar ainda mais ênfase e continuidade à idéia, além de interligar os participantes de todo o mundo.

Vamos participar! O Planeta em alerta! Hora de apagar a luz!


video

terça-feira, 24 de março de 2009

Rubem Alves: A complicada arte de ver


Apenas transcrevo este artigo que saiu na Folha Online, e que pode ser visto neste
link. Descobri este texto em um destes pps que chegam em nossas caixas de emails, editado por Morita. Parabéns não só pela edição e divulgação, mas também por ter colocado a fonte de onde foi extraída, e principalmente, por ser verossímil, o que normalmente não se é ou não se tem!

Confesso que a profundidade retratada por Rubens Alves é atemporal, e merece não só nossa atenção, mas nossa "abertura" para um novo ver e uma nova forma de receber as coisas tão simples da vida, que carregam todo o mistério de beleza que não conseguimos perceber na correria da vida.

Folha Onlinesinapse

26/10/2004 - 02h56

Rubem Alves: A complicada arte de ver

Rubem Alves
colunista da Folha de S.Paulo

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões _é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Marcelo Zocchio

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa _garrafa, prato, facão_ era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas _e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

Por isso _porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver_ eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...

Rubem Alves, 71, educador, escritor. Livros novos para crianças e adultos-crianças: "Os Três Reis" (Loyola) e "Caindo na Real: Cinderela e Chapeuzinho Vermelho para o Tempo Atual" (Papirus).

Site: www.rubemalves.com.br

segunda-feira, 23 de março de 2009

Um passageiro momento de aridez


Parece irônico a arte de amar!
Quando se vê de fora da esfera, é como se tudo se repetisse!
Sonhos e fé. Fé no outro, fé em si, fé no amor.
E é nesta fé que vai se permitindo a entrega cada vez mais.
E a cada entrega uma nova descoberta.
Contudo, este filme já se vivera em outrora, e não teve um final feliz.
Por que repetí-lo, então?

Embora por vezes deseje voltar, regressar ao meu estado de amor pueril,
confesso que não temo mais os "caprichos" do amor.
Se ele for eterno, serei plenamente feliz em um.
Se ele se for um dia, eu o vivi plenamente enquanto durou.
Dor, sim. Muita. Sobrepondo em muito as belas lembranças vividas.
Estas que não poderão ser mais lembradas.
Contudo, se viveu. Aprendeu. Cresceu.

Engraçado perceber neste meu passageiro momento árido, algumas ironias já ouvidas.
Risadas de pessoas que também estão nesta aridez.
Pessoas também que já acreditaram, como todos um dia, e também sofreram.
Pessoas que se fecham para não "se perderem" mais.
Que ao nos verem assim, lúdicos com o amor, riem de nossa estupidez.
Estupidez de amar!Sim, estupidez! Por que não?
Tornamo-nos tão vulneráveis, tão crédulos, tão felizes!
Amamos, pra depois sofrer!
Sorrimos tanto, para restar apenas as lágrimas e a solidão!

As reações de quem ama são sempre as mesmas.
Brilho nos olhos. Pensamentos perdidos no ser amado.
Companherismo. Cumplicidade. Entrega. Desejo. Amor.
Encontro de corações, de almas, de corpos.
É claro que cada amor tem sua peculiaridade.
Assim, como as entregas e os encontros nem sempre acontecem da mesma forma, nem em suas totalidades e plenitudes.
Mas o foco sempre se encontra no que de belo está vivendo.
Na felicidade da escolha feita.
Nos ganhos e nas qualidades de tudo o que se têm!

As reações de perdas são sempre as mesmas também.
Tudo começa com a perda de foco. Ah, o foco!
Prende-se em tudo que se perdeu, e em todos os defeitos e incômodos.
E quando menos se espera, já se desviou do que era importante até então.
A perda sempre vem para os dois lados.
Contudo, só a sente de imediato aquele que não teve a chance, nem o tempo de sair do navio antes que ele afundasse.
Quem não teve a chance de buscar o entreterimento de um novo foco.
Então, inicia-se ou reinicia-se a trajetória da dor da perda.
A indignação de como a pessoa pode viver sem nosso amor!
A vontade de resgatar o que já não pode, e principalmente, o que não quer ser mais resgatado!
Dor, solidão! Vazio, desilusão!

E como tudo tem um tempo!E como quase tudo se vai com o tempo...
Este também "conforma" e "anestesia" a dor que se cansa de doer.
Este também prepara o coraçãozinho para o que de novo há por vir.
E quando este vem, quando chega, tudo volta a ser inebriante e luz novamente.
Num ciclo, vicioso, talvez, natural, provalvemente, que não se permite prender-se na possibilidade de nova perda, mas na capacidade de novamente amar.
E assim, numa esperança de que este ciclo não precise se repetir mais em nossas vidas, seguimos.
Doando todo nosso amor, à espera de uma reciprocidade, para assim vivê-la em toda sua magnitude.

Será realmente bobagem pensar em eterno? Será realmente pueril?
Racionalmente, talvez. Assim, como ver o amor como estupidez.
Contudo, mesmo sabendo que nada sabemos, que nada controlamos, acreditamos.
E vivemos! E amamos! Porque não importa o quanto débeis ou irracionais sejamos!
O importante é se permiter viver o que tanto clama o coração.
Permitir-se ser invadido de tamanha paz e felicidade.
Conforto da alma. Paz do espírito. Chama do corpo.
E naturalmente derreter-se, até se entregar.
Dois em um ... enquanto existir o amor!
E que este amor, nunca se acabe!
Amém.

Fim deste passageiro momento de aridez!
Que outros virão? Não tenho dúvida.
Apenas talvez para tornar ainda mais terna a minha admiração quanto à arte de amar.
Porque o que mais temos são justamente razões para o contrário.
E mesmo assim, persistimos, felizmente!
Quão triste seria o mundo sem este belo dom! Tão escuro! Tão frio!
E como não poderia ser diferente, e que assim seja sempre:
Um ode ao amor!

sexta-feira, 20 de março de 2009

The Animals save the planet

Recebi um email hoje e fiquei simplesmente encantada com os vídeos educativos, principalmente para o público infantil, deste link.

Cada história visa trabalhar uma consciência ambiental de forma bem leve e engraçada.


As falas e as mensagens são em inglês, mas com o acompanhamento de um adulto e a facilidade da linguagem visual, facilmente a criança poderá entender as mensagens! Fica então, a dica!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Portal do Voluntário e Brasil ponto a ponto


Convido a todos que façam parte desta família solidária, que busca, sobretudo, todas as formas de dignidade, cidadania, paz e amor entre as pessoas. O importante saber qual perfil cada um se encaixa. Sempre há uma forma de ajudar e mudar! Desde o mais simples gesto até o mais entregue.


Entre tantos movimentos, ficamos por muitas vezes perdidos. Sendo assim, pretendo fazer uma "remessa" de pôsts dedicados a alguns projetos, que penso valerem a pena, como uma dica.

Começo, não podendo ser diferente, com o Portal do Voluntário, onde há sempre informações sobre os mais diversos projetos do país, e pode ajudar-nos a não nos perdermos entre tantos "fanfarrões" e "golpistas" que existem, infelizmente, por aí, já que é um site idôneo.

Foi justamente em um informativo deles que vi que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) prepara um Relatório de Desenvolvimento Humano consultando à sociedade. Para participar, acesse o site Brasil Ponto a Ponto.

Que tal começarmos com um simples clique e uns minutinhos apenas?

quinta-feira, 12 de março de 2009

Por que amei? Por que amar?

Por que cometi esta insanidade?
Por que abri meu coraçãozinho?
Estava ele ali tão protegido...
Só... mas protegido...
Acalentando-se apenas
nos amores platônicos
...e ideais...
...e imaginários...
e tudo era tão feliz e tão possível!

Então, pensei me render
e experimentar.
Ah, se tivesse a pílula azul de Matrix!
Ah, se pudesse voltar pra Caverna de Platão!
De fato, o problema é apenas um:
eu ia querer tomar?
eu iria querer voltar?

Quando se descobre como é bom cuidar,
como é bom ser cuidado!
Quando se descobre como é terno amar,
e muito mais quando este amar é amado também!
Ah, como é bom!

Como é doce contemplar o ser amado,
e se permitir ser acariciada, ser tocada,
deleitar-se no beijo e se entregar...
Ah, aqueles olhinhos!
Olhar para aqueles olhinhos...
Sentir aquele cheiro inebriante que brota no amar,
e degustar aquele gosto forte e saboroso de se apaixonar.
Abraçar até se derreter...
e se fundir em um.
Ouvir o último gemido,
suspiro.
Sentir o último arrepio,
o último pedido,
a última entrega.
Ah, e numa felicidade plena, se quedar,
confortavelmente,
como nunca em outro lugar,
nos braços do ser amado,
num encaixe tão perfeito,
para não querer mais se soltar.

No entanto, quase todo amor tem um fim.
E nem sempre este fim chega ao mesmo tempo para ambos.
Como dói! Como a vida se torna injusta nestas horas!
De um paraíso, para a terra de maior desalento!
Lembranças, quereres, tentativas, esperas...
E quando nada acontece a dor aumenta.
Por conseguinte, fechamos nosso coraçãozinho.
E aí de quem ousar entrar!
Momento de proteção! De medo...
Abala-se a fé... a confiança... a esperança.

Hora de voltar pro meu mundo de outrora.
Cadê a chave pra voltar? Quero meu esconderijo!
Como era doce minha vida de sentimentos platônicos...
Tão segura!
Busco, mas não o encontro.
Foi um passo sem direito a retorno.
Uma vez que se transpõe a barreira do imaginário para o real,
não se consegue mais voltar.
Quantas saudades de minha doce ingenuidade.
Tão intocada! Tão pura!

Só um buraco.
Só um buraco que resta no coraçãozinho.
Um vazio a ser preenchido.
Que se queda numa espera ansiosa.
Por vezes, aflita.
Por muitas, carente.
E recomeça-se as buscas.
A necessidade imediata de substituição.
Para que esta dor acabe logo.
Tentativas frustradas.
Mais vazios. Tantos danos.
E a cada desconstrução,
mais pedras dos entulhos se acumulam
e mais pedregoso e infértil vai ficando o coração.
Cansaço. Desânimo. Conformismo.

E quando menos se espera.
Lá está.
Novamente o coraçãozinho batendo acelerado.
A vontade crescendo no peito.
O amor brotando
e se derramando.
A felicidade de amar e se sentir amado retoma ao seu lugar.

Somos tão insanos assim?
Sabemos o que pode acontecer.
Por que tentar? Pra que arriscar?
Permitir-me tentar de novo?
Isso é sadismo? Loucura?
Ingenuidade? Fé?

Talvez seja a fé no Amor.
Talvez seja a loucura de Amar.
Embora, por mais que queiramos,
explicações ou entendimentos,
não há respostas.
Há sentimentos.
Há instinto de querer continuar.
Há vontade de seguir e amar.

Se este ciclo se repete para sempre?
Queira Deus que não.
Que em algum momento ele sossegue!
E por fim, se encerre.
E o amor permaneça!
E na sua forma mais plena,
ali amadureça.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Intolerância

Como já dizia, não exatamente com estas palavras, a Morte no livro A menina que roubava livros, do autor Markus Zusak: "o ser humano me assombra! É capaz de fazer coisas terríveis, mas também de atos admiráveis, mesmo que seja ao receber-me dignamente".

É realmente muito fácil cultivar o ódio e a raiva. Inclusive, estes sentimentos são poderosas armas de manipulação, como bem retratado na obra prima 1984 de Geroge Orwell, quando a raiva a um "inimigo iminente" dava vazão a todo sentimento reprimido e condicionado pelo Estado na "Hora do Ódio", que por dois minutos parava suas atividades para que a população canalizasse suas insatisfações e privações ao "causador" de todas as suas aflições. Causador este tão variável quanto à verdade controlável que se impunha veladamente.

Confesso que não tenho paciência de ler muito sobre alguns conflitos, como o Conflito da Palestina ou sobre os diversos conflitos que existem em suas mais diversas vertentes (religiosas, políticas, étnicas, sexuais, entre outras) e por uma razão bem simples: tudo é razão para odiar. O que está em questão não é a "honra" ou o "direito" de cada etnia ou grupo ou classe (mulçumana e judaica ou negra e branca ou nacionais e estrangeiros ou católicos e protestantes ou homens e mulheres ou heterossexuais e homossexuais) como se prega. O que ali se encontra é a soberba, é a vaidade. Como já dizia o diabo no filme Advogado do Diabo, perfeitamente representado por Al Paccino: a vaidade é meu pecado preferido.

O que ali se encontra é o Ode à Intolerância! Numa incessante briga, em qualquer uma das suas vertentes, de um querendo ser maior, melhor e se sobrepôr ao outro, como numa carente necessidade de se sentir mais "especial" e por isso, se sentir no direito de ter domínio sobre o outro. Qualquer desculpa, seja o desemprego, seja quem chegou primeiro na terra, seja qual "deus" que manda, qual raça ou sexo é superior, qualquer coisa é razão para odiar, colonizar, escravizar, aterrorizar, guerrear.
Sempre as mesmas desculpas, sempre o mesmo ódio, sempre as mesmas atitudes de intolerância.

Pra que cultivar tamanho ódio, impossibilitando qualquer convivência pacífica? Pra que tamanha intolerância?

Poder... sempre a vaidade do Poder...

E a população? Apenas fantoches de um circo que visa o poder.

No livro Neve de Orhan Pamuk mostra bem este circo, estes fantoches... como algumas pessoas "abraçam" a causa de impor sua verdade. Assim também, no livros A Revolução dos Bichos de George Orwell e no Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, que já os citei tantas vezes aqui, escancara as diversas faces de manipulação, que indiferente da natureza ou forma, sempre possuem como centro o repúdio generalizado ao que se opõe à forma de controle e a vaidade da supremacia de quem o possui. A discrepância dos líderes e dos liderados. A submissão velada. Todos contra todos a favor de poucos.

O que mais me entristece, como já disse outras vezes aqui, é que quando uma classe subjugada por essa intolerância e submetida a tamanhas atrocidades tem o direito de inverter a situação, e tem o domínio da situação, age igual ao seu antigo agressor. Isso pode ser visto claramente no filme Hotel Ruanda e em tantos outros meios e a todo momento, como citei neste pôst .

De todos os pps, textos, que recebi sobre este assunto, confesso que duas fotos, que fiz questão de colocar neste pôst, de um destes pps traduziram todo o meu sentimento quanto a tudo isso:


Por acaso, a criança da direita tem mais direito do que a criança da esquerda? Ou o contrário?

Deixo-vos com esta resposta no coraçãozinho de vocês.

Paz e bem!