sexta-feira, 12 de junho de 2009

Distorções da fé

Seguindo o pensamento do post Distorções dos valores do amor, deste amar sem esperar é que gostaria de citar outro paradigma que muito me incomoda. A necessidade das pessoas de amar em troca de algo. As pessoas buscam uma fé para obter algo em troca. Fazem barganha com Deus. Sou fiel à Sua fé, mas Você terá que me dar isso. E assim por diante. É comum ver as pessoas negociarem sua fé, e assim, vão trocando de religião, à medida que conhece outra que mais lhe oferece.

Não estou dizendo que não tenho fé, e que não peço coisas. Sim. Tenho fé. Só que a minha fé não se apega ao que ela me pode proporcionar de benefícios. A minha fé está baseada no amor. A minha fé está fundamentada na paz e no bem. Posso pedir muito algo. Posso ficar indignada quando algo muito triste me acontece. Posso ficar decepcionada quando perco. Posso me sentir frágil e vulnerável com as perdas. E mesmo quando estou fraca demais pra pedir, conformada demais para acreditar, machucada demais para sentir, uma Força me move e me conduz para atravessar aquela tribulação, e quando penso que não consigo mais, Ela me repousa numa bonança. Esta Força eu chamo de Deus. O Deus que eu acredito. O Deus amor.

Professo a religião católica. Tenho senso-crítico dos erros humanos que ela cometeu. Assim, como qualquer fé ou religião, há erros, porque são conduzidas por pessoas. Por isso nossa fé não deve se prender ao ser humano, justamente por ser falho. Qualquer forma de Poder cega quando a vaidade e a soberba são fomentadas. Por isso é tão importante focar a fé no que aquela religião/seita /filosofia professa. Os dogmas e os ritos que elas realizam. Conhecer profundamente a essência desta fé e ver se esta acalma teu espírito, repousa teu coraçãozinho e te deixa em paz com você e com as pessoas à sua volta. Por isso, não importa o que você escolhe acreditar e como decide viver. Importa é como você se sente sinceramente preenchido e bem ali. E importa o quanto você respeita as diferenças e as escolhas de cada um. Se sentindo em paz e transmitindo paz e bem, pronto.

Conhecendo um pouco da filosofia do livro "O segredo", da autora Rhonda Byrne, em que a lei de atração do pensamento seria capaz de definir a vida das pessoas, posso dizer que se enquadra bem no que quero trazer a este pôst. Atraindo milhares de seguidores pela filosofia do ter, do consumismo, alienando-os a uma cômoda e superficial vida. Só que sabemos que só o pensar-desejar não resolve nada, pode estimular a pessoa a agir para conseguir aquilo que deseja, mas se a pessoa só ficar no pensar será tão estéril tão quanto a pessoa agir sem acreditar. A combinação do acreditar e fazer para tentar acontecer seria o caminho. Só que falar para as pessoas agirem não é tão atrativo. Tirá-las de sua inércia não vira best-seller. Mas oferecer um caminho fácil, do menor esforço vira frisson em nossa sociedade contemporânea.

Similar a isso vi no filme Desafiando Gigantes, quando um técnico fadado ao fracasso em sua vida pessoal e profissional se apega em Deus, e ali, ele e sua esposa, sendo fiéis à fé que professavam e mudando radicalmente seus estilos de vida viram suas vidas mudaram de fel pra vinho. Graças e mais graças. Barganhas e mais barganhas.

No Cristo é o show do ano passado, em Belo Horizonte, estava eu com minha mãe, e acompanhando as várias apresentações uma coisa me incomodou. A excessiva necessidade de mostrar as graças e graças recebidas. Testaram o Poder de Deus até para curar a dor de ouvido do filho de um deles. Nestes momentos que penso o quanto Deus é misericordioso! Ele pode até se sentir ofendido por ser tão vendido assim, mas mesmo assim Ele concede, por Sua infinita bondade, por saber que por mais que pensemos que sabemos, nada sabemos, e por nos envaidecermos, mesmo sendo tão pequenos. E assim se seguiram os shows. Curas e graças a todo o tempo. Então, sabiamente entra o Padre Fábio de Melo, e a primeira coisa que ele fala ao iniciar seu show foi mais ou menos assim: "mesmo quando não se vê milagres, mesmo quando não percebemos a Sua ação, Deus está ali." Pronto. Aquilo era a confirmação que eu precisava. Eu não podia ser a única naquele estádio que pensava assim. Eu não podia estar tão errada em pensar em um Deus que se manifesta nas pequenas coisas, que não precisa de estardalhaços e purpurinas para mostrar sua grandeza. Um Deus simples. Um Deus de amor. E ao ouvir estas palavras, senti a confirmação de Deus, acalmando meu coraçãozinho.

Meu pai sofreu 06 meses com um câncer de pulmão que se espalhou pelo corpo. Durante meses pedi muito a Deus sua cura. Já no seu findar, eu percebi que não era a vontade Dele. Então pensei que o maior milagre já tinha acontecido com a doença do meu pai: a união da família. Não precisava mais nada. Acredito que para acontecer uma mudança drástica de uma ordem natural deve-se ter uma razão muito grande. Por isso tantos milagres e curas já aconteceram e acontecem. Então as pessoas maquiavélicas, dispostas a "converter" as pessoas fragilizadas com as perdas tentam atribuir o não milagre à fé que aquela pessoa tem. Assim, vendem o "peixe" da sua fé. Na minha Igreja com certeza seu filho vai sair das drogas, seu marido vai parar de te trair, você vai arranjar emprego, sua avó vai se curar, seu cachorro vai parar de urinar pela casa e assim vai. Pobres pessoas. Tanto as que se convencem desta "verdade", tanto das que as manipulam. Pobreza de espírito. Não é uma Instituição que faz com que Deus cure ou não. É a fé. E mesmo, por vezes, quando
se pediu com fé e nada aconteceu, não é porque a fé era pouca, mas porque não fazia parte dos Planos de Deus para aquele momento, ou, talvez, porque as pessoas não estavam prontas ou despertas para receber o milagre.

E então, culpa-se a Deus. Eu também já me senti muito ressentida com Ele. Não pela morte do meu pai, porque entendi que fazia parte da ordem natural da vida. Não por algo que "barganhei". Mas por uma perda que pra mim teve um significado bem maior, não que tivesse maior importância que meu pai, nada disso, mas pelo simples fato de não ter tido o consolo da conformidade da morte. Uma perda de algo que muito acreditava e zelava. Casamento é algo muito sagrado pra mim. E o dessacralizaram. O perdi pro mundo. Ora, por que Deus permitiria isso? Racionalmente eu sei que não foi Deus que fez isso acontecer. Assim como não é Deus que põe a droga na mão dos filhos, a chave do motel para os amantes, o cigarro na mão da avó doente de câncer, e por aí vai. Mas mesmo assim, insistimos em punir Deus. Assim, como barganhá-Lo. Ele podia ter quebrado a perna dele quando ele ia comprar a droga, ou quando ia sair com a amante, ou quando ela foi comprar o cigarro. Mas e o livre arbítrio? A nossa tão amada liberdade? Deus apenas respeita nossas escolhas. Ele manda sinais. Desde os mais sutis até os mais berrantes, só que Ele sabe que não importa quantos sinais Ele mande, porque se o coração estiver longe demais Dele, nunca serão percebidos. E mesmo assim, Ele acredita em nós e continua a enviar os sinais, até que um dia, os escutemos.

Sei que por mais que racionalmente sabemos que, por muitas vezes, passamos por momentos na vida que precisam ser passado,
sem nos pouparmos, estamos tristes e frágeis demais para conformar e aceitar isso. Por isso, sempre é tempo de reconciliarmos com nossa fé., seja ela qual for. Voltarmos nossos coraçõezinhos para aquilo que acreditamos. Vivermos o que nos equilibra e nos edifica. Por conseguinte, neste retorno sempre recomeçamos mais amadurecidos, e se em outrora, se viveu uma fé vazia, de conveniências, nada justifica a insistência de manter uma fé de barganha, um amor de favores e trocas, um ouvir e viver só que nos interessa e nos é cômodo.

Respeito, Paz e Bem para todos!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Kings and queens that trap us


The world is full of kings and queens, who blind your eyes and steal your dreams.



A frase é da música Heaven & Hell do Black Sabbath, e me instigou a fazer esta postagem.

Quantos reis e rainhas que usurpam a liberdade do outro. Quantas vezes fomos nós os usurpados? Quantas vezes fomos os usurpadores?

A cada dia temos a escolha de sermos edificadores ou destruidores da vida do outro.

Quem lhe rouba a paz? Quem lhe rouba de si?

Em outro post, Roubo das subjetividades, citei trechos do excelente livro do Padre Fábio de Melo, Quem me roubou de mim, que trata justamente destes reis e rainhas da música do Black Sabbath, e de como nos permitimos ser aprisionados por eles.

Até o que se diz mais esperto, ou o mais dono de si pode um dia se deixar envolver assim, e sem perceber, se prender nas teias das viúvas negras, prontas para se alimentar da felicidade de outrem.

Sempre sabemos de histórias reais à nossa volta, ou vemos na ficção. O fato é que sempre houve e sempre haverá Cleópatras, Leonardos, Ivones usurpadores. E sempre terão Júlio Césares e Marco Antônios, Catarinas, e Rauls como usurpados.

Estes eram inocentes? Desprovidos de domínio de si? Desprovidos de informação? Não. Apenas se permitiram submeter,
de forma tão bem dissimulada e sutil, capaz de nem perceberam as suas brechas de fraquezas, por onde manipulavam esses maquiavélicos dominadores.

Os dominadores eram loucos, desequilibrados? Talvez, como vários casos conhecidos, como o pai austríaco que prendeu a filha por 20 anos, ou a jovem que ficou aprisionada por 08 anos em Viena, que chegaram ao extremo de cárceres reais. Contudo, as prisões da subjetividade deixam marcas profundas na alma. Só que por muitas vezes as pessoas simplesmente não percebem o mal que estão fazendo, por estarem profundamente embriagados pela vaidade do poder. O poder de subjugar alguém, de submetê-lo aos seus caprichos os deixam entorpecidos. Se eles foram sempre assim? Talvez. O fato é que eles não são assim, não é algo irrevogável, eles se tornaram assim, a partir do momento em que eles alimentaram este lado neles, como no post Cultivar a paz e o bem: a começar pelo que eu alimento
.

A todo instante somos convidados a nos aprisionar por algum rei ou rainha. A todo instante temos a oportunidade de sermos este rei e rainha, e aprisionarmos alguém. A escolha é diária. E dar o direito de escolha também o é, como eu retratei no post Liberdade.

Contudo, escolher edificar o outro sempre requer mais trabalho, menos reconhecimento e por muitas vezes passar por desrespeitos e desconsiderações. Contudo, como vamos dormir? Como conseguimos dormir em paz? Certa vez ouvi de uma pessoa: pelo menos eu vou olhar pra trás e vou ver que dei o melhor de mim. Sábias palavras!

O amor é livre. Toda forma de amar deveria ter como princípio a liberdade. O sentimento de paz e tranquilidade em saber que diariamente a escolha é só sua de amar aquela pessoa, de estar com ela, e vice e versa, e assim, querer permanecer ali, em sua forma plena, sincera e verdadeira. Não é porque eu o gerei é que ele deve ter a obrigação de me amar. Não é porque Deus me deu a vida que devo ter a obrigação de amá-Lo. Não é porque ele se casou comigo que tem a obrigação de me amar. Não é porque ele me ajudou naquele momento difícil que tenho que ser seu amigo. Amo-os e sou amada por eles, porque optamos livremente por isso. Porque o amor só pode ser assim. Leve. Sincero. Fiel. Inteiro. Entregue. Como posso amar inteiramente se me divido? Como posso ser entregue se sou acorrentada? Como posso ser sincera se sou julgada? O amor nos permite sermos nós mesmos com o outro, e ainda assim, sermos amados. O amor nos permite escolher amar o outro, do jeito que ele o é, diariamente. O amor edifica. O amor restaura. O amor conforta. O amor consola. O amor acalma. O amor pode ser tudo de belo, se o deixá-lo ser livremente amor.

Não estamos condicionados a sermos sempre usurpadores ou usurpados. Eu escolho a liberdade! Eu escolho o amor. E você?

OBS: Obrigada Ubaldo, por ter me cedido a sua frase de inspiração do msn.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Distorções dos valores do amor

Já faz um bom tempo que me deparo com situações que me deixam indignada, e por vezes, muito triste. Primeiramente, quero deixar claro que eu respeito a opinião de cada um. Só que me deparo com formas de pensar muito longe do que acredito e vivo na minha vida. Eis a razão deste meu pôst. Perdoem-me se minhas palavras não forem tão suaves como esperam. Apenas derramarei a forma como penso. Não se sintam ofendidos! Porque não é esta a minha intenção. Podem comentar ou criticar, justamente porque não sou a dona da verdade, e não estou aqui para impor uma. Apenas, peço o mesmo respeito que dispenso quando não concordo com o que me falam. Para não me alongar muito num pôst só, já que não consigo mesmo falar em poucas palavras sobre este assunto, vou separar em duas temáticas, que a princípio falaria juntas: distorções dos valores do amor e da fé. Neste, vou me focar no amor.

Infelizmente, é visível, e por vezes, risível, as distorções que cercam um tema tão presente em nossas vidas, o amor.

O pior é que se viesse apenas da televisão, como ouvi na novela Caras e bocas, pela personagem Laís: Já vou fazer 30 anos e ainda não casei nenhuma vez!, eu até entenderia, porque na TV, é vergonhoso, mas real, o fato de não termos muito o que absorver de bom. Contudo, ouço a todo tempo, indiferente do meio em que me encontro, mentalidades assim, e o que mais me assusta é quando vem de pessoas com um grau de instrução maior, capazes de ter um certo senso crítico que não se submetam a este senso comum. No entanto, sou metralhada com uma bateria de pensamentos que vão contra tudo que acredito: "Nossa, a melhor coisa que aconteceu depois do casamento foi a minha liberdade, por não ter que prestar contas dos meus horários pros meus pais." "Você se separou e não guardou as fotos de você vestida de noiva? Nossa, eu guardaria. " "Estou chateada com meu namorado porque ele me criticou por querer casar na igreja, mesmo eu indo à igreja apenas em eventos sociais. " "Filho foi a única coisa que não conquistei ainda. Não quero mais um marido, quero um filho. " "Você se separou, mas pelo menos se casou, vestiu de noiva, coisa que eu ainda não fiz." "Quero casar, mesmo que não dê certo, apenas para ter alguém que me quis um dia". Entre tantas outras.

Começando, falando sobre o casamento. O casamento é o sacramento do Amor entre duas pessoas, independente de qual religião ou fé elas professem. Indiferente se são casados no papel ou não. A vida conjugal não precisa de rótulos, de papel ou de ritos quando duas pessoas se respeitam e se amam. A primeira concretização deste sacramento tem que acontecer no coração do casal, depois vem as formalidades. E é justamente o que não acontece. Preparam-se as festas, os ritos, e quando vem a vida real do casamento, sem púrpuras, o casal simplesmente não preparou o coraçãozinho para suportar os momentos que virão, sejam eles bons ou não.

Aprendi a importância que se tem primeiro casar o coração, depois todo o processo virá como consequência, e se tornará mais leve, por mais pesado que se pareça o fardo. Outra coisa que aprendi às duras penas: uma relação depende de como os dois a cultivam, e a gente nunca vai saber ao certo como o outro a cultiva, apenas sabemos o que sentimos através do que eles nos passa, então, dê o melhor de si, e seja sempre você mesma, e se sentirá em paz sempre.

Quem ama cuida. Quem ama respeita. Quem ama quer fazer o bem. Quem ama protege. Quem ama educa. Quem ama, compartilha. Quem ama vive a cumplicidade das superações e perdas dos desafios diários. Quem ama, vive a verdade e a sinceridade. Quem ama, constrói. Quem ama, escolhe amar cada dia. Casamento é um SIM diário. É uma escolha diária.

Fica fácil perder-se perante tantas ofertas, tantas dificuldades, tantas diferenças. Perder o foco é em geral a principal fuga que o casal tem quando se concentra mais nas razões para não manter a relação, nas coisas que não são boas, nas dificuldades, nas diferenças, nas esperas, do que nas razões que um dia os levaram a dizer um SIM, que os levaram a escolher aquela pessoa, ao seu lado, para a vida toda.

Para melhor entendimento do termo sacramento que citei, encontrei no link, tal descrição: A palavra sacramento é uma adaptação latina – sacramentum – do termo grego Mysterion. Daí podemos perceber que sacramento tem relação direta com mistério. É um mistério à razão humana. Sacramento também, significa sinal. Sinal misterioso. Define-se sacramento como: “Sinal sensível, de uma realidade invisível”. É algo que podemos perceber através dos nossos sentidos (visão, audição, paladar, tato e olfato), mas que exprimem uma realidade transcendente, ou seja, algo que vai além daquilo que vemos.

Se a pessoa não vive uma fé em alguma religião, por que então casar nesta Igreja? Apenas porque socialmente é assim que as pessoas fazem. Criticamos tantos hipócritas, mas nesses momentos agimos como eles. Cedemos à vaidade da sociedade. Certa vez tive a infelicidade de presenciar um casamento em que declaradamente a noiva estava aquém de tudo o que o padre ali celebrava, ao ar livre. Ela interrompia o padre, e já queria ir direto para a parte de trocar as alianças. Ela não entendia o rito ali celebrado. Então, simplesmente, preferi voltar pra minha mesa, e não presenciar mais aquela cena que para mim, não tinha fundamento algum. A noiva estava declaradamente fazendo apenas a vontade de seus pais, e nem tentava esconder, ou ao menos, respeitar isso, já que ela optou viver este rito. As pessoas pensam que casamento é como destes romances, novelas, que tem que passar por estes protocolos para serem felizes para sempre ou apenas gostam dos pontos altos do rito, como a troca de alianças e o Sim, não importando como chegar até a eles. O problema é que vejo isto a todo instante. Pessoas que se declaram ateus e se casam professando alguma fé. Pessoas que não vivem ou tentam conhecer mais alguma religião, mas criticam afiadamente tudo à sua volta, sem se envolver a nada, mas quando vão se casar, lá estão pedindo a benção.

Não estou defendendo fé com viseiras! Pelo contrário. Temos que ter senso crítico em tudo na nossa vida. Contudo, só criticar é tão estéril tão quanto só obedecer. Quando você se envolve em algo, você está conhecendo de perto aquela realidade, e poderá, assim, atuar de alguma forma para melhorá-la.

Por que a necessidade de se casar? O casamento é uma consequência do amor vivido entre duas pessoas. Casar só para se sentir desejada por alguém. Casar só para vestir um vestido. Sinceramente, isso não é conto de fadas. Existem vidas envolvidas que por atos infantis e imaturos podem dilacerar o coração e a alma do outro.

Assim como casar apenas para ter liberdade. Ora, vá morar sozinho! Arranja um curso ou um trabalho em outra cidade, caso seus pais não aceitem que você more na mesma cidade longe deles. Mas a vida conjugal é muito mais ampla que este conceito. Certa vez ouvi uma das melhores definições de casamento, de um colega de trabalho, que após 10 anos de namoro, e ao retornar ao trabalho, ele nos disse: a melhor coisa que tem na vida é acordar todos os dias do lado da pessoa que se ama! Este é o conceito que acredito. A simples forma de amar. Sem maiores estardalhaços ou parafernálias. Simples, como o amor deve ser vivido, sentido, amado.

Hoje li uma entrevista interessante do ator Matthew McConaughey que ele dizia: Acho que foi o ex-presidente Abraham Lincoln que disse que o melhor exemplo que você pode dar aos seus filhos é mostrar a eles como você trata e ama a mãe deles. E eu amplio um pouco esta frase: se você ama, doe o melhor de si, e se sinta em paz.

Assim também como o casamento é o Amor Sacramental entre duas pessoas, os filhos são, consequentemente, frutos deste amor. Filhos deveriam ser consequencias, não causa de uma relação.

E direi o mesmo que disse acima sobre casar para batizar um filho: batize primeiramente o seu coração e depois batize seu filho. Ouvi uma verdade do padre numa missa, em que ele relatava que as famílias, em geral, estavam mais preocupadas com os preparativos pós batismo, como os almoços familiares, do que com a importância daquele momento ali celebrado. Batizado, de sacramento, passa a ser apenas mais um evento social. A dessacralização da fé.

Realmente é divino ver aquele ser tão pequenininho inundar um lar de felicidade. É belo ver pedacinhos de nós ali, projetados pela consequência do nosso amor. Contudo, ter um filho apenas porque é apenas mais um etapa da vida, ou apenas para não ser recriminado socialmente, ou porque a vaidade humana lhe faz querer um ser igual à sua pessoa, é um ato totalmente egoísta. Compartilhar o amor que nos transborda com um filho é um ato natural, assim, como dividimos diariamente nossa atenção, nosso cuidado, nosso amor com o mundo à nossa volta. Agora, se somos apáticos com as pessoas ao nosso redor, como esperamos ser diferente com um filho? Agiremos da mesma forma fria e distante. Então por que tê-los? Se nosso coraçãozinho se enche de ternura e de compaixão pelos seres vivos, desde os mais simples, como não o terá com um filho seu. Se conseguirmos encher-nos de amor, nos despindo de todos os pré-conceitos (é proposital a forma descrita, porque antevêem as formas de preconceito) sociais do que é belo ou não, do que é aceito ou não, e assim por diante, estamos diante de um amor capaz de aceitar e se apaixonar pelo outro, da forma como ele é, da forma como ele vem. Se for vindo de nosso próprio ventre, se for adotivo. Se for formoso ou melindroso. Se for independente ou se necessita de cuidados especiais. Se for branco ou se for negro. Agora, se estamos diante destes velhos estigmas sociais, torna-se cada vez mais difícil o amor doação, o amor sem esperar.

Contudo, definitivamente não há fórmulas para as relações dar emcerto, nem como acontece o despertar para o resgate dos valores, principalmente, o valor do amor. Pessoas que antes eram totalmente gélidas e egoístas começam a se importar e se tornam os pais mais cuidadosos e amorosos do mundo, com a chegada de um filho. Casais precoces ou imaturos, que conseguem se fortalecer e crescerem juntos. Pessoas antes que não sentiam vontade de viver, hoje se encontram inundadas de felicidades e planos. Ateus que começam a professar alguma fé. Por isso não julgo. O contrário também acontece, infelizmente. Contudo, não importa como começou, mas como se tornou depois. Este se tornar que vem do que se foi alimentando e trabalhando em si e ao seu redor, à medida que sentia, e consequentemente, definia a importância de cada um em sua própria vida e a de si mesmo.

Não somos obrigadas a seguirmos o padrão: nascer-crescer-estudar-trabalhar-casar-filhos-netos-morrer. Não somos obrigadas a viver o que a sociedade espera que nós vivamos. Temos apenas que estar em paz com nós mesmos, com as nossas escolhas. Contudo, independente da escolha a ser feita, que a façamos com amor, o amor voluntário, verdadeiro, que não espera nada em troca, e que o façamos com sinceridade.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

Academia e sociedade


Incrível como este artigo, deste link, vem de encontro ao que sempre pensei, e infelizmente, em alguns momentos presenciei.
Por isso transcrevo-o abaixo, integralmente.

Como tenho formação técnica e estou em formação acadêmica para pesquisas da minha área, vejo como necessário romper estas barreiras entre o que se pesquisa e o que se aplica na sociedade. Romper com os orgulhos e alter-egos alimentados. Contudo, um outro ponto também muito importante, que não foi relatado neste artigo abaixo, é a visão da sociedade e do governo quanto ao valor das pesquisas, porque uma pessoa graduada que se dedica integralmente à área de pesquisa recebe uma bolsa miserável, além de não ter os mesmo direitos da CLT, como férias, 13º salário, FGTS, nem auxílio saúde, vale-transporte e vale-refeição, se tornando desmotivante ingressar nas linhas de pesquisa. Eu mesmo ainda não posso me dedicar exclusivamente, e por isso, render mais em minha pesquisa, porque com o que se oferece de bolsa, não há como viver dignamente, sem a ajuda dos pais ou de outrem.

Não há favores! A sociedade precisa dos estudos do pesquisador, assim como pesquisador está a serviço da sociedade com seus estudos. É esta consciência que devemos buscar. Não há distinção entre os dois universos, há trabalho em conjunto! Para que assim, um não seja estéril e o outro paralítico!


A academia de costas para a sociedade

Por Carlos Nepomuceno

A academia está dentro da sociedade e só faz sentido quando se relaciona com ela de forma intensa. Isolada (como prefere ficar) é apenas mais uma fonte de despesas e barulho.

Fonte: Webinsider - 23/01/2009

Nós não somos estudantes de uma matéria qualquer, mas estudantes de problemas - Karl Popper.

Toda a Ciência tem um ponto de partida.

Nasce da necessidade de resolver um problema humano. Uma impossibilidade que nos leva a estudar determinado assunto.

A partir desse ponto, inventamos equipamentos (telescópios, microscópios, máquinas de raio-x) que nos permitam detalhar os objetos.

Ou inventamos ferramental teórico que nos permita compreender o que se passa e o que provavelmente acontecerá. E como podemos nos preparar para conviver com estes fatos.

Nessa linha, existem objetos inacessíveis às tecnologias atuais (o material do solo de outros planetas, por exemplo) e fenômenos novos como a Aids ou a internet, que abrem novos campos de estudo.

O problema original, entretanto, se desdobra em diversos outros e nesse caminho é normal que o problema a ser resolvido torne-se secundário em um processo virtuoso.

Existe também, o que é mais comum, que o problema fique cada vez mais distante e, por diversos fatores burocratizantes, a própria Ciência se transforme de solução em problema.

O cachorro que deveria saber onde está o rabo, virou o rabo atrás do cachorro.

Burocratiza-se a Ciência, que passa a ser um “Ministério”, com seus carimbos, burocratas, normas, regras e leis, que supostamente defendem a inovação mas muitas vezes acabam tendo o efeito contrário.

Passam anos discutindo os detalhes, sem ir ao âmago da questão, em um processo claro de neurose científica.

Me alinho com Edgar Morin quando no livro Cabeça bem-feita defende uma nova cultura científica, que resgate o sentido de orientação para a condição humana.

Não há nada pior do que uma academia fechada nela mesma, com a cabeça cheia sem conseguir articular aquele conjunto de autores de tal forma a contribuir de alguma forma com a sociedade.

A academia está dentro da sociedade e só faz sentido quando se relaciona com ela de forma intensa. Isolada (como prefere ficar) é apenas mais uma fonte de despesas e barulho.

Os problemas são uma dádiva para quem estuda. Eles ajudam a organizar o pensamento, dão um sentido de realidade às nossas viagens e nos fazem situar determinado conceito no geral das coisas, evitando a “acumulação estéril”, definida assim por Morin:

“Onde o saber é acumulado, empilhado, e não dispõe de um princípio de seleção e organização que lhe dê sentido”.

Morin defende, assim, uma educação e, por sua vez, uma Ciência que nos oriente para os problemas fundamentais de nossa própria condição e de nossa época.

O isolamento da maior parte de nossa academia, perdida nos seus falsos problemas egóicos, cria-nos ruídos. Quem deveria ajudar muitas vezes, atrapalha.

É um pouco o que diz Marcos Cavalcanti, quando defende um novo sentido para as pesquisas acadêmicas com a sua sensacional e emblemática estória do Ronco do Boi, sobre a incapacidade do sistema brasileiro de ciência e tecnologia de transformar conhecimento em valor.

Um pesquisador que estudava o ronco do boi, quando perguntado sobre o motivo da pesquisa, simplesmente respondeu: “porque eu estou a fim”.

Cavalcanti defende que “a universidade não pode continuar de costas para a sociedade, pesquisando só o que interessa aos pesquisadores”.

Eu complemento dizendo que a universidade pode criar sim problemas, está ali para isso, mas que ajude a sociedade a resolver os seus. E não criar uns tantos falsos e estéreis a seu bel prazer, financiada pela sociedade.

A arte está em fazer com que ela se aproxime da realidade com sabedoria e liberdade em um processo inovador e criativo, envolvendo todos os atores, não apenas os “de dentro”.

É preciso resgatar a ideia original da academia: um conjunto de estudiosos empenhados em melhorar a vida sobre a face da terra, reduzindo, ao máximo, o que é estudo do próprio umbigo. Concordas?

Carlos Nepomuceno - nepomuceno@pontonet.com.br - é professor, pesquisador e co-autor do livro Conhecimento em Rede (Editora Campus), coordenador do ICO, Instituto de Inteligência Coletiva e diretor da Pontonet. Mais dele no blog CNepomuceno e no Twitter.

Link: Webinsider

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Revista Nova escola: um livro oferecido em vez de esmola!


Uma coisa q sempre me surpreende é o quanto de livros há em nossas casas que não dividimos com as outras pessoas! Eu mesmo tenho alguns, e não me acanho em dizer que quero logo ter minha biblioteca particular. Um espaço de "novos horizontes"! Mas não a vejo como algo estático e empoeirado numa estante. Não a quero assim, isso seria apenas a "cultura do ter" da sociedade atual. Não, ela será viva e vai passear em todos os corações que estiverem dispostos a recebê-la. Hoje, já tenho o hábito de emprestar meus livros para amigos e vizinhos. Livros que ainda nem tive tempo de ler. Livros que me inspiraram e marcaram. Livros que me encantaram e emocionaram. Livros que expandiram os horizontes de meu mundo, e principalmente, da minha forma de pensar. E sempre quando me devolvem - sim, podem pensar que é mentira, mas nestas andanças pelo caminho, todos retornaram, e não vieram sós! Vieram com o brilho dos olhos de quem o degustou! - trocamos nossas impressões e comentamos este "universo". É muito interessante como cada qual "recebe" o livro no seu coraçãozinho. Cada qual com suas peculiaridades e diversidades. Cada qual com sua consciência e visão humana.


É bom semear cultura! Semear coisas boas, que acrescem e que edificam! No mundo já há tanta coisa que nos leva à escuridão, à aflição, ao corrompimento de valores, à frieza, ao egoísmo, à "bestialização", à superficialidade e à alienação. Podemos fazer a diferença, até em nossos pequenos atos do dia-a-dia!

Simplesmente transcrevo esta matéria, encontrada neste link, que muito me instigou a estar aqui compartilhando no blog. Sempre há uma forma de fazer um mundo melhor, mesmo que seja a partir de um único livro.

Revista Nova Escola: Gestão Escolar

Edição 221 | Abril 2009

Vale mais que um trocado

Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi

Rodrigo Ratier (rodrigo.ratier@abril.com.br)

CAMINHO LIVRE A cada livro oferecido em vez de esmola, um leitor descoberto.
Foto: Rogério Albuquerque.

"Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?" Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão. A ideia surgiu de uma combinação com os colegas de NOVA ESCOLA: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse - e conferiria as reações.

Para começar, acomodei 45 obras variadas - do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier - em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais.

Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor*, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:

- Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro - "Esse do castelo, que deve ser de mistério" - para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela*, 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a 1 real uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da avenida Tiradentes, no centro. Fiz a pergunta de sempre. E ela respondeu:

- Hum, depende do livro. Tem algum de literatura?, provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico*, 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro:

- Sabe ler?, perguntei.

- Não..., disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta:

- Sim. Sei, sim.

- Em que ano você está?

- Na 4ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos?, indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.

Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura. Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro...

- Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria*. Carregava a pequena Vitória*, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria.

* os nomes foram trocados para preservar os personagens.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pátria Minas



Momento de nos deleitarmos com esta terra tão linda e aconchegante como a nossa Minas Gerais!

Amo respirar e viver nesta terra das montanhas, vales, cachoeiras, cidades históricas, museus, praças, parques, ruas de pedras, casarões antigos, fachadas coloniais, igrejas barrocas, capelas, procissões, fogão de lenha, pão de queijo, bolo de fubá, biscoito de polvilho, tropeiro, torresmo, tutu, macarronada, farofa, queijo minas, costelinha com canjiquinha,"ora-pro-nobis", pinga, festival de boteco, música caipira, festival da cachaça, circuito alternativo cultural, festival popular de teatro, tambor mineiro, congado, festival de coral, música ao luar, festival de inverno, barraquinhas de igreja, festas regionais, festas de São João, festas de Rodeios, festas dos padroeiros.

Segundo este link, este vídeo é um clipe da música Pátria Minas, gravado ao vivo, por Marcus Viana e Transfônica Orkestra no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, tendo edição e finalização de imagem: Mariana Bontempo.