segunda-feira, 25 de março de 2013

Solidariedade X Corrupção


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No dia 19/03 assisti uma reportagem muito boa no CQC, um programa que gosto muito e que há tempos não via, e achei importantíssima levantar este tema aqui e postar o vídeo

Em momento de caos, de catástrofes, de situações de extrema dificuldade e escassez como podemos ficar alheios? Como podemos no meio a tanta desgraça e tristeza não nos solidarizarmos, não intervirmos?

A seca do nordeste do país, como no sertão da Paraíba, do norte de Minas Gerais, como o Vale do Jequitinhonha, assim como tantas outras regiões, são realidades diárias de pessoas que tem que conviver com o pouco de água que conseguem e valorizam cada gota.

Ao receber o email com uma apresentação de uma entrevista que relatava a história de Moussa Ag Assarid, um nômade Tuaregs, ao norte de Mali, no Deserto do Saara, conhecidos como homens azuis, que hoje estuda na Universidade de Montpellier, dizia que a vida no deserto consiste em buscar fontes de água, e que ao ver a primeira torneira na vida, sentiu vontade de chorar. A entrevista feita por Victor-M. Amela, e editado por © JMascaró 2009 possui trechos que nos levam a reflexão: “Ali cada pequena coisa te proporciona felicidade. Cada toque é valorizado. Sentimos uma enorme alegria pelo simples fato de nos tocarmos e estarmos juntos. Ali ninguém sonha com chegar a ser, porque cada um já o é!“. “Lá nós olhamos as estrelas todas as noites e cada estrela é diferente das outras como cada cabra é diferente. Aqui, à noite, você olha para TV”. “Vocês tem tudo, mas não acham suficiente. Vocês se queixam. Na França passam a vida reclamando! Aprisionam-se pelo resto da vida à uma dívida bancária, num desejo de possuir tudo rapidamente ... No deserto não há congestionamentos e você sabe por quê? Porque lá ninguém quer ultrapassar ninguém!”  “Aqui vocês tem relógio, lá temos tempo.”

Contrapondo, há as inundações e deslizamentos que também atingem tantas cidades, trazendo as mais perdas e desesperos, sem contar tantas outras mazelas que envolvem nosso país.

Só que o Brasil não é o único a passar por estes problemas. Então, qual é o problema? O problema é COMO buscamos agimos na PREVENÇÃO e SOLUÇÃO destes eventos.

As marcas do terremoto do Haiti de 2010 ainda estão presentes no país devastado e que necessita da ajuda externa para reconstruir e ainda está longe de se resolver, como mostrar a reportagem da Veja de 2011 e da  Globo em 2012. 

No entanto, temos exemplos dos EUA que mesmo com a tempestade Sandy (2012) e o furacão Katrina (2005) demonstraram a capacidade de unir a população e o poder público em prol da reconstrução, com poucas exceções de relatos de problemas. Assim como tsunami que devastou o Japão em 2011, viu em pouco tempo sua população retomar à normalidade com a aplicação eficiente dos recursos do país.

Se é possível nos mobilizarmos, nos unirmos, porque não o fazemos? Pior, porque tentamos tirar vantagem de quem está numa situação crítica?

Senti náuseas quando vi uma denúncia de pessoas que furtavam doações recebidas para a população atingida pelas enchentes em Santa Catarina, em 2008. Também senti nojo quando foram noticiados os desvios de dinheiro do poder público que impediram a recuperação de Nova Friburgo (RJ).  A revelação em 2012, dos desvios das doações destinadas à Cruz Vermelha, no Brasil, envergonharam a reputação de uma entidade filantrópica tão nomeada e respeitada em todo mundo.

Hoje vi uma reportagem na Record de um casal ambientalista que foi assassinado em 2011, José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, por defenderem a floresta amazônica. 

O negócio é tão mais lucrativo que vale a vida humana? Dinheiro ganho com sangue ou com a miséria humana traz felicidade? Conseguem dormir em paz?  

A corrupção e o oportunismo egoísta em momentos de desastre e tragédias ou em ações lucrativas desprezam a vida e devem ser denunciadas para a promoção de um mundo mais humano.

Será que estas pessoas não possuem consciência? O seu individualismo e egoísmo cegam tanto que não importa mais nada? Como são capazes de tirar vantagem com a desgraça alheia? 

Onde está a nossa compaixão e a nossa solidariedade? Onde está a nossa humanidade? Onde está o nosso respeito à vida e à condição humana? 

Estou triste, indignada e assustada com o mundo ao meu redor! 

domingo, 24 de março de 2013

Obrigada, minhas fortes plantinhas!



Que dia bom hoje! Termino o dia em paz, feliz, na cama, com um incenso pairando seu aroma pelo ar, o meu livro de cabeceira do momento: A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón ao meu lado, me esperando para degustá-lo.

Arrumar os papéis de aula, arrumar as gavetas de documentos e ainda com ânimo para ajeitar as gavetas de meias, um “bota fora” geral hoje. Na verdade, os “bota foras” sempre me acompanham de tempos em tempos, é um processo inevitável e tem que ser feito. Mas em especial, este espírito organizador solitário, porque em geral, sempre preciso de um “incentivo” da minha mãe ou irmã para fazer as “limpas” quando elas me visitam, começou na semana passada quando enfim reorganizei os livros e apostilas para doação. Assim se estendeu para uma organização na parte dos meus livros literários que mais estavam empilhados, jogados, que cuidados com o carinho que merecem.

Mas até então, tudo bem, nada de tão especial assim, até que quando o dia já estava findado para mim, já estava me preparando para descansar e relaxar, uma vontade enorme tomou conta de mim e não podia esperar nem mais uma noite. Precisa urgentemente cuidar das minhas plantinhas! Elas que sofrem com minhas ausências de viagens, descuidos da correria do dia a dia, caem no esquecimento, deixando-as apenas ao encargo da natureza cuidar, o que nem sempre é possível com este calor insuportável que nos avassalam nos últimos tempos, nada além de consequências de nossos atos de injúrias contra a Mãe Natureza.

Enfim, até havia me desistido delas quando voltei de viagem no início do ano. Estavam todas ali, sem vida. Pensei em começar um cultivo de ervas finas e alguns chás nos vasinhos. No entanto, hoje quando fui com minha colherzinha (na função de pá) e a água com vitamina para afofar suas terras, e dá-lhes um pouco de força, lá estavam elas! Um brotinho daqui, outro dali, uma pequena plantinha nascendo, tudo para me encher de mais amor, respeito e cuidado. Como são fortes estas meninas! As poucas chuvas dos últimos dias, e as minhas nada regradas regadas despertaram a força que delas emanam.

Minhas caras e doces plantinhas, eu tenho total admiração pela força de vocês. Podem encontrar-se totalmente sem a fonte que as mantém erguidas, nem o cuidado que as mantém exuberantes, mas querem viver, aproveitam cada oportunidade, cada gota de água para renascerem. E elas não renascem rancorosas, feias e amarguradas. Elas nascem ainda mais viçosas, ainda mais singelas!

Como conversei com vocês enquanto cuidava de sua terra toda dura, esquecida,  vocês me deixaram comovidas e ainda com mais vontade de cuidar e amar vocês. Delicadas, mas, sobretudo, guerreiras e exemplos para nós. Uma benção e um presente Divino!

Deixo aqui então, com uma terna emoção no coração, minha homenagem à Mãe Natureza! Uma ode a vocês, minhas lindas plantinhas!

Obs: Apesar de postar somente hoje, tive este feliz momento no dia 02/03/13, e não poderia deixar de compartilhá-lho.
Obs1: As minhas adoráveis plantinhas continuam a florescer e a cada dia tornam ainda mais belo o meu redor. 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Quem somos nós?


Quem somos nós?

Entre tantas perguntas que nos permeiam, sem dúvida esta é uma que nos deparamos em alguns momentos. Mas a mim, ela mais me intriga quando percebo o desprezo, a arrogância, a politicagem, a injustiça, o sentimento de superioridade sobre o outro. Estas coisas sem dúvida me entristecem de forma tamanha e me tiram do meu eixo de equilíbrio.

O problema é ainda maior quando o preconceito é velado. E são várias as suas formas de manifestação.

O filme Histórias Cruzadas é um exemplo de como as empregadas domésticas negras não podiam nem usar o banheiro dos patrões, nos anos 60 no Mississipi. As mesmas crianças que recebiam destas negras o amor tinham que aprender a desprezá-las quando adultas. Mas será que isso ainda não é visto nos dias de hoje?

Também, como disse nos posts anteriores, há muito preconceito e intolerância por religião, classe e status social, posição política, time de futebol, ou por simples falta de empatia a alguém.

Este sentimento de superioridade que algumas pessoas manifestam, e consequentemente criam meios de exclusão e repulsão ao outro, precisa de uma análise interna, uma terapia, um revisão de valores e julgamentos, e em casos mais extremos, um tratamento psiquiátrico para que não se torne um caso de polícia mais na frente.

Sentir-se superior em relação aos outros é puro desconhecimento do tamanho de nossa pequenez na imensidão deste Universo. Indico o excelente vídeo Mário SérgioCortella que de forma tão bem colocada mostra o quanto somos ínfimos e não temos qualquer direito de nos impor sobre a vida do outro.

Somos pequenos, mas cada um é especial em sua peculiaridade, em sua identidade. O que o mundo precisa é de respeito, um olhar mais humano e amoroso ao outro, de forma a permitirmos enxergar a sua essência, e nos aventurarmos a conhecer o diferente.

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segunda-feira, 11 de março de 2013

Intolerância X Violência



Eu sempre respeitei a escolha de cada um e seu credo. Não consigo conceber que pessoas matem, caluniem, destratam, falem mal, façam conspirações, difamem o outro por causa de sua religião, sua fé.

A fé por si só é abstrata demais para pensarmos que podemos simplesmente acreditar que só a nossa é verdadeira e que os outros vão para o inferno se não se converterem para a nossa, ou que devemos matar o outro porque a sua religião representa o “mal” para o mundo. 

Chega a ser uma incoerência tamanha o fanatismo, uma vez que, a maioria das religiões em sua base prega o “amor” e a “paz”. Mas como é possível fazer paz com guerra?

Mas também não podemos ser inocentes em pensar que podemos “deixar que nos matem”. Ano passado assisti o filme “Machine Gun Preacher” do pastor Sam Childers que defende as crianças e famílias do sudeste do Sudão que vive uma enorme guerra civil, onde grupos radicais rebeldes invadem aldeias de cristãos para arrancam os seios das mães que amamentam “filhos do mal”, cortam seus lábios, além de matar crianças e adultos. Sua forma de defesa pode ser controversa para muitos, mas infelizmente, eu não estou tão certa que apenas o “diálogo” nestes casos de extremismos funcione.

Há um limiar muito tênue que deve ser visto com cuidado onde ao buscar se proteger não nos percamos neste mundo da violência e não nos tornemos como os próprios inimigos.  

Certa vez, lendo o livro sobre a história de Safiya Husaini, a primeira nigeriana que teve sua vida contada para o Ocidente pela BBC, e em uma mobilização mundial para seu não apedrejamento por acusação de adultério, já que mesmo separada ela teve uma filha fora do casamento, Adama, e pela lei do Islã ela deveria ser condenada conseguiu ser salva. O que mais me chamou a atenção neste livro é que Safiya descreve sua vida com uma felicidade simples e sincera, apesar dos dois casamentos desfeitos e a promessa de um não cumprido, que resultou em sua filha, recebendo somente ela a culpa do ato.

O modo de vida do ocidente é sem dúvida muito diferente do modo de vida do Oriente, mas nem por isso o nosso modo de vida é o certo, e não somos a pílula de salvação para eles. Enfim, existem outras formas de viver do que a que estamos acostumados a viver no ocidente, assim, como a de ver o mundo do oriente.

Assim como manter uma visão generalizada que todo alemão é nazista ou todo muçulmano é homem bomba. Temos que ter cuidado com estes estigmas negativos criados. No filme Território Restrito (Crossing over) que retratava a imigração americana, mostra em um dos seus momentos o preconceito do mundo contra os muçulmanos. Infelizmente as pessoas sofrem com o olhar do outro de “medo” e preconceito do diferente, principalmente quando parte deste diferente mancha a imagem de um todo.

Isto me lembra o filme-série que tive o prazer de me deleitar em minhas férias: Xingu. Que mundo desconhecido para nós! Que coragem e bravura daqueles irmãos Villas Bôas! Ressaltando apenas uma parte desta brilhante história de luta, quando um grupo de intelectuais reunidos com um dos irmãos, Orlando, falam que nós estávamos “civilizando” os índios, então ele diz que “na verdade, não tinha muita certeza de quem estava civilizando quem”. O que mais uma vez reforça que não somos a verdade, o modo único de ser.

A intolerância, seja de qualquer natureza, é de uma loucura tamanha que tem que ser tratada não só como um caso de polícia, mas psíquica.

Hoje o tão comentado bullyng, que na verdade, sempre existiu, começa com as mais ínfimas desculpas, como o cabelo, a beleza, a gordura, a altura do outro. Como somos seres cruéis uns com os outros!
Sem comentar que hoje não se pode mais terminar relacionamentos. A loucura humana está tamanha que as pessoas estão matando quem um dia jurou amou, só porque o amor acabou. A dor não justifica tamanha tragédia. Se não consegue superar esta perda, quiçá outras que virão! A vida, meus caros, é cheia de perdas a todo instante, infelizmente! Temos que amadurecer!

Um dos muitos casos de barbáries que assisti nos últimos tempos foi o de duas amigas que arrancaram o coração da amiga por ciúmes, detalhe, elas tinham na faixa de 13 anos, e não apresentavam qualquer remorso ou noção de realidade quando fizeram o depoimento. Onde vamos parar?

Semana passada, no programa Esquenta da Regina Casé falou sobre a campanha do TJDFT lançada: “Conte até dez”, antes de praticar qualquer ato de violência por impulso. Gosto muito deste programa e a forma como a Regina trabalha temas tão importantes de forma tão popular, simples e leve. Tantas vidas poderiam ser poupadas se parássemos e contássemos até 10.

Matar por um time de futebol, por uma religião, por uma rincha de bairro, por uma discussão na escola, pela raça, por um término de relacionamento é apenas uma desculpa para algum desvio de personalidade que já era propenso a tamanho ato de selvageria e apenas precisava de uma desculpa para isso. 

Precisamos repensar os nossos valores. A vida precisa ser valorizada, como um presente único, que não nos cabe tirá-la do outro por simples incompatibilidade de modo de viver ou pensar, ou por momentos de acessos de raiva.

O mundo está débil com tamanha intolerância e falta de respeito com o outro. O mundo precisa ser curado, ser tratado. O mundo precisa de mais amor.  

Contemos até 10! Paz e bem! Um ode à vida!

Retorno ao blog



Quanto tempo! Que saudades! Nada melhor do que começar com este lindo quadro chamado de Retorno da artista Rosah Casanova do blog de cultura Molinero.

Apesar de só postá-lo hoje.... lá vai o meu retorno...

Hoje são 12 de janeiro de 2013, e começo a escrever meu retorno ao blog, ou, mais precisamente, um retorno a mim mesmo. Estive ausente por tanto tempo deste espaço que sinto falta, mas confesso sentir um pesar maior por ter ficado afastada de mim mesmo ao ponto de não me lembrar quando me perdi de mim. Como já diria Augusto Cury

"Quando somos abandonados pelo mundo, a solidão é superável; quando somos abandonados por nós mesmos, a solidão é quase incurável."

Talvez não seja tão assim, apenas me deixei levar-me na inércia da roda da vida. Não fiz loucuras ou me joguei a aventuras insanas, não foi este tipo de perda de mim. Pelo contrário, fui me deixando ir pelo ritmo que pede a rotina, as obrigações, os compromissos. Logo eu que nunca tive o problema com a rotina, que sempre a vi como uma aliada, que nos ajuda a organizar nossa vida, principalmente eu que pouco tenho de disciplina. 

Também não estou desprezando as coisas que vivi, pelo contrário, eu vivi bons momentos, tive felizes conquistas, desbravei novos universos, e tive os meus amigos e minha família ao meu lado, mesmo quando nem eu mesmo estava ali. Ao mesmo tempo em que me sinto uma afortunada por já ter visto tantas lindas coisas, por me sentir sensível a cada barulho de rio que corre, a cada luz que brinca com as folhas das árvores, num lindo jogo de esconder e surgir, também me sinto devastada de mim, sem saber para onde ir, como ir. Sinto-me só de mim mesmo. 

Permiti-me entrar na roda louca que só as cidades grandes possuem, onde a todo tempo temos que estar nos deslocando, nos aperfeiçoando, cumprindo nossas infindáveis responsabilidades, estas que nós mesmos nos impomos para nos manter nesta roda viciosa. Certa vez recebi um email de meu amigo Danyfloyd com uma imagem muito legal que dizia algo como: perdemos muito tempo para juntarmos coisas que não precisamos. Não há problema em ter as coisas, o problema é se perder nas suas complexidades, nas suas exigências, nas suas buscas, sem nada alcançar. 

Sem falar, claro, das relações humanas, quanto mais “crescemos” mais ela nos apresenta em sua faceta mais crua, seja qual for o tipo de vínculo ali firmado e suas possibilidades e condições. As relações humanas, e seus descuidos, desgastes, feridas, cicatrizes, inconsistências e dubiedades. Um completo caos.

Ah, e como não tive, por tantas vezes, forças para ver meus amigos, força muito mais espiritual que física. Amigos de longas datas, vivências, trocas, sempre ali, mesmo quando eu estava distante, estavam ali comigo. Era fato, já me mantinha acorrentada na inércia desta solidão. 

No meio de tantos, longe de mim. Ah, mas era no aconchego da minha família que mais buscava abrigo. Lá estava eu, deleitando-me a cada momento ao lado deles. Como os amo! Momentos simples, mas, especiais em família. Ah, nada me faz tão feliz! Hoje percebo isso com mais clareza. Pena que percebi esta magia quando meu pai já não se fazia presente para me deleitar por completo. Ficam apenas as lembranças. Mas para que serve os momentos da vida do que para lembrarmos deles depois? São eles que não nos deixam perder... 

Apesar de ser apaixonada por tantas coisas, é difícil sair da inércia. Poderia fazer tantas coisas na vida que sei que estaria feliz. Amo lecionar, mas também faria outras coisas que envolvessem “agregar”, ajudar pessoas, compartilhar e integrar-me às suas vivências. Amo tudo que envolve a vida, a saúde, a natureza, a psicologia e os segredos que envolvem o mundo e as pessoas. Tantas paixões me movem, me fazem sentir viva, no entanto, só amar não é suficiente para se movimentar. Falta aquela energia, aquela força que te moveria, aquele sopro que te impulsiona. Acho que estou neste momento. Momento de buscar esta força que me lança para dentro de mim mesmo, que organiza a “minha morada” interna, para assim, ser impulsionada a sair para outras moradas. Encontrar-me para sentir-me. 

Os livros de autoajuda nunca foram minha opção literária. Nada contra. Cada qual se identifica com alguma coisa. Talvez seja a obviedade do escrito que no meu narcisismo intelectual achasse que não precisasse ouvir. Ora, quantas vezes precisamos ouvir o óbvio! Quantas vezes o óbvio só se tornar realmente óbvio quando maturado dentro de nós. Não basta ouvir e saber, é preciso, sobretudo, “parar” para sentir e deixar que lentamente estas palavras venham sendo germinadas dentro de nós. E este processo ocorre de uma forma tão sutil, que esta acomodação beira ao pueril que nos faz perguntar porque demoramos tanto.

Minha mãe, por exemplo, tem muitos livros do Augusto Cury e confesso que já li alguns trechos e encontrei muitas coisas lindas, que já me fizeram refletir, mas nunca li um de seus livros por inteiro. 

Mas neste fim de ano ao me deparar com o livroTempo de esperas – o itinerário de um florescer humano” do Pe. Fábio de Melo me senti instigada a lê-lo. Gosto muito da sobriedade filosófica, humana e espiritual do Pe. Fábio, assim como transmite uma sabedoria com uma delicadeza e um cuidado que me admira. 

Estou em um momento tão cansada de seguir, tão “relax”, que diria que estou sendo “levada” pela vida e a sua roda. E foi neste cansaço de me “bastar” sozinha, nesta busca desta entrega, desta paz que comecei a ler o livro. 

Quem nunca viveu algo assim talvez possa estar buscando, e ainda não saiba. Agora, para quem por algum momento já viveu a sua espiritualidade, seja onde e como for, e por alguma razão a deixou pelo caminho, não tem como não sentir uma constante “saudade”, como já diria a música da Celina Borges, inspirada em Santo Agostinho:

“Saudade, tanta saudade... estou com saudades... de estar com meu Deus...”

Esta música me acompanha há tanto tempo, que mesmo sentindo em alguns momentos o alento para esta saudade, não me bastava... momentos passam, a vida continua...

Faz pouco tempo, meu querido amigo PH me perguntou se eu estava indo à igreja, e ele ficou chateado pelo fato de euzinha estar tão afastada. Não que ele seja religioso, não que o problema seja eu ir ou não a igreja, mas eu entendi o que aquele ar de "desaprovação" estava querendo me dizer. Ah, meu grande amigo, sempre cuidadoso comigo. Não importa como exercite o seu lado interior, mas não o deixe de fazer. Como este sempre foi o meu lado, da nossa turma eu que sempre gostei de atuar, de participar das coisas sociais, religiosas, e isso me faz muita falta. Ainda não sei como, mas quero voltar... e sei q isso será um pouco mais complicado, e vai requere um pouco mais de tempo e trabalho.... mas quero e preciso também deste retorno...

Não que neste período de ausência não tenha lido nada ou deixado por completo minha espiritualidade, entre outras coisas que tanto gosto. 

Neste período pude conhecer e ser “cuidada” pelas Assoluc, fundada pela Irmã Natália, assim como pude ler bons livros como o “Ciúmes de Deus” de S. Hipólito Faria, uma pessoa cultíssima que tive oportunidade de conviver nos últimos tempos, através de outro casal que também tenho total admiração e carinho, S. Franklin Fonseca e sua esposa Beth. Anjos que Deus colocou na minha vida, que em simples momentos de aula, transcende o conteúdo proposto, abrangendo e acalentando o coração. 

Este meu retorno ao mundo dos livros, do meu cantinho do blog, de escrever, de minha espiritualidade, de mim mesmo estão trazendo uma tranquilidade e paz almejada há tanto. Espero que neste caminho de “volta pra mim”, eu consiga deleitar-me com prazeres esquecidos, com uma felicidade simples de estar com minha essência de forma mais integral. 

Que este ano de 2013 seja mais que um recomeço para o blog, assim como seja mais que um recomeço para mim. Que seja um ano abençoado a todos nós! Paz e bem!