domingo, 29 de dezembro de 2013

2014: Paz e unidade!


Sem dúvida este ano foi regido por manifestações no mundo inteiro, inclusive no Brasil. 

A Europa vivendo uma de suas maiores crises econômicas, os países do oriente buscando suas independências das tiranias, o povo brasileiro querendo uma vida com maior qualidade e justiça, pedindo o fim da corrupção. Este cenário até então com muitos momentos pacíficos também foram regados de violência, vandalismo e mortes por todo o mundo.

Será possível uma guerra sem armas? 



Este ano partiu um dos maiores pacificadores do mundo, Nelson Mandela, o homem que lutou pela  igualdade racial e dedicou toda uma vida a este ideal.


 Também este ano foi marcado pela luta da jovem Malala Yousafzai, uma jovem paquistanesa que enfrentou o regime Talibã pelo direito à educação.


No entanto, esta semana fiquei profundamente triste quando vi a África mais uma vez dizimar milhares de seus filhos em mais uma de suas guerras civis. Estas barbáries no Sudão do Sul já acontecem há muitos anos, inclusive a história do pastor Sam Childers que defende a mão armada a vida de toda uma aldeia já até virou filme. Huanda, Sudão, Somália e tantos outros países esquecidos em seus conflitos religiosos, étnicos, políticos e econômicos. Um continente tão pobre, onde o cinturão de escassez deveria unir ainda mais as pessoas que ali vivem para buscarem a sobrevivência de seu povo, atrocidades são realidades diárias.

Egito, a Tunísia entre outros  estão vendo fenecer sua primavera árabe (2010). Ataque químico na Síria culminou na morte de milhares de pessoas, entre elas, centenas de crianças.

O número de refugiados de guerra no mundo cresce assustadoramente a cada ano, segundo a ONU são 32 milhões atualmente. Só no Quênia existem 02 campos de refugiados, um que abriga os oriundos do Sudão (Kakuma), outro da Somália (Dadaab). E quantos outros mais campos que abrigam pessoas da Faixa de Gaza, da Síria, do Afeganistão e tantos outros povos. E quem promove a guerra??? Nós mesmos...

Precisamos mudar este cenário. Não podemos mais aceitar esta banalização da vida, esta falta de amor ao próximo. Que no próximo ano, mais guerreiros sem armas, mas com almas impulsionem mais lutas, só que em prol à vida, à solidariedade, à igualdade.

Que venha 2014! Amor , unidade, paz e bem! 



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

domingo, 1 de dezembro de 2013

Lado a Lado: prêmio Emmy



Primeiramente, gostaria de parabenizar a atriz Fernanda Montenegro pela premiação do 41º Emmy Internacional. Mas a dama do teatro e televisão brasileira dispensa qualquer post, já que a forma com que consegue expressar uma imensidão sem precisar de grandes movimentos, apenas com o olhar, encanta a todos.

Sobre a novela Avenida Brasil, que também concorreu ao Emmy, digo que foi uma das novelas mais envolventes do nosso país, capaz de mobilizar uma multidão na saga que se passava no lixão e no subúrbio. Trouxe uma nova realidade para o horário nobre. Tem todos os méritos por sua audaciosa trama. 

Apenas um parêntese para aquelas pessoas que se dizem "cultas" por não assistirem novelas, mas, em muitos casos, estas mesmas se prendem a séries americanas de 10 anos ou ficam vendo vídeos de stand up comedians na internet por horas diariamente. Não estou querendo comparar nada aqui. Amo séries e stand ups, mas não me prendo a rótulos. Acho que é o vício que nos faz perder o bom senso das boas escolhas. Se o que estamos vendo não é bom, indiferente do que seja, vamos fazer outra coisa, mudar a programação, sem relutar ou sofrer. Acredito que temos apenas que estar abertos ao que bom nos é apresentado, indiferente do tipo de expressão artística, e se soubermos manter nosso olhar crítico e desapegado não nos alienaremos (como tanto dizem e temem!!!).

Mas hoje meu post veio em um momento para me redimir, já que na época da novela Lado a Lado quis muito, mas não tive como fazer minhas "deliciações" a seu respeito. Gostaram da nova palavra? Pois é assim exatamente que descrevo este post. 

A novela Lado a Lado não foi apenas uma novela de época, que em geral, são muito belas e muito bem produzidas. Mas ela encantou com a história de duas mulheres que estavam a frente do seu tempo, buscando escrever suas próprias vidas, rompendo as correntes de uma sociedade preconceituosa e conservadora. Nos links coloco partes da novela relacionadas com o tema, deleitem-se!

A história contada pós abolição mostra como os grilhões sociais ainda eram impostos aos negros. Para a construção do centro do Rio de Janeiro,  muitas famílias tiveram que deixar suas casas e irem para os morros, sem qualquer condição de saneamento e infra-estrutura. Surgiam as primeiras favelas que conhecemos hoje.

A vinda do samba para o Brasil, a prática da capoeira e sua divulgação, a mulher no mercado de trabalho, a entrada do negro para o futebol, um esporte até então para brancos da elite, o peso do divórcio para a mulher, o preconceito com as mulheres escritoras, e as lutas sociais desta época foram conduzidas magistralmente. A história do Brasil foi exibida de uma forma que acredito aproximar mais que a estudada, se estudada, nas escolas. 

A novela era rica em trazer personagens importantes da história, que talvez, não tenham seu devido reconhecimento na memória do país, entre eles, José Cândido e Júlia Lopes. 

A escritora Júlia Lopes de Almeida e romancista, é citada na novela por não ter sido escolhida para a cadeira da Academia de Letras apesar de ter participado de sua criação. Uma mulher que rompeu com padrões predominantes de comportamento de uma época, como bem descrito em um artigo da UERJ, que inclusive traz uma frase interessante do francês Marc Bloch: "Os homens [e as mulheres] parecem-se mais como seu tempo que com os seus pais". Neste texto da UERJ também traz o ocorrido: 
"... fins do XIX viabilizaram a sua participação nas discussões que antecederam a criação da Academia Brasileira de Letras, em 1897, sob a liderança de Machado de Assis. E também a inclusão de seu nome na lista prévia dos que comporiam a instituição publicada por Lúcio de Mendonça (1854-1909). Contudo, na listagem final Júlia Lopes de Almeida foi substituída por seu marido, o poeta cronista, jornalista, teatrólogo Filinto de Almeida, sob a alegação «de que na Academia Francesa – modelo da nascente agremiação – não era consentida a entrada de mulheres»."

A Revolta da Chibata também é retratada por um dos personagens, onde duras condições de trabalho eram impostas aos marinheiros de baixa patente, além de castigos físicos, como a prática de chibatadas. O marujo negro João Cândido, um dos principais líderes marinheiros que foi preso, mesmo após o governo ter aceitado as condições dos marinheiros e a revolta acabada. Somente ele e outro marinheiro, João Avelino, sobreviveram a prisão na Ilha das Cobras, como descrito no site do Projeto Memória em um relato do João Cândido: "A pretexto de desinfetar o cubículo, jogaram água com bastante cal... o líquido, no fundo da masmorra, se evaporou, ficando a cal. A princípio, ficamos quietos para não provocar poeira. Pensamos resistir os seis dias de solitária com pão e água. Mas o calor, ao cair das 10 horas, era sufocante. Gritamos. As nossas súplicas foram abafadas pelo rufar dos tambores. Tentamos arrebentar a grade... Nuvens de cal se desprendiam do chão e invadiam os nossos pulmões, sufocando-nos. A escuridão, tremenda. A única luz era um candeeiro a querosene. Os gemidos foram diminuindo, até que caiu o silêncio dentro daquele inferno”. Quando a solitária foi aberta, no dia 27 de dezembro, segundo João Cândido, os corpos beiravam a podridão. Os cadáveres foram retirados, a cela foi lavada, desinfetada e os sobreviventes, João Cândido e o soldado naval João Avelino Lira, jogados novamente na prisão. A causa da morte dos dezesseis, segundo o laudo oficial, foi por “insolação”.

A atriz Marjorie Estiano deu uma entrevista super interessante sobre o seu personagem, que eu confesso que amei, e o papel da mulher na sociedade hoje, que apesar de nos parecer tudo já conquistado, ainda não temos nosso devido valor em nossos papéis. 

A história de nosso país enlaçada com a trama da novela trazia uma leveza na seriedade dos fatos políticos e sociais de uma época, que em muito podemos refletir para a nossa atualidade. 

A química dos personagens, um elenco magistral e a produção delicada e impecável tornaram esta novela linda e inesquecível. Que muitas outras venham com tamanha qualidade e genialidade! 

domingo, 17 de novembro de 2013

A magia do Escher




Acabou hoje a exposição "Magia do Escher", do artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972), no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, que atraiu multidões ansiosas para entrar em um mundo que nos encanta pelos efeitos de ilusão de óptica, capaz de nos deslumbrar nas diferentes perspectivas de seus planos, na geometria que vai se construindo em uma metamorfose, na beleza e projeções dos cristais e espelhos, e na delicadeza da litografia (arte na pedra) e da xilografia (arte na madeira). 



Incrível a janela do impossível onde um gato, um livro e uma cadeira podem se apresentar em situações diferentes dependendo da referência na qual é observado.




Amei a forma interativa que Escher criou para aproximar o observador da sua arte. Tirou a "seriedade" das galerias para a magia de seu mundo. Talvez por isso que esta magia tenha contaminado a todos que por lá passavam e saiam maravilhados.



Cine Holliúdy: cinema nacional

Assisti o filme "Cine Holliúdy" e me encantei pelo humor bem elaborado, a partir de uma história simples e leve, sem grandes efeitos e custos cinematográficos, mas que vai nos conduzindo a um olhar apaixonado pela 7ª arte: o cinema.  A história de um "cabra" idealizador que, juntamente com sua família, enfrenta todas as adversidades, desde a pobreza, perpassando pela política e culminando no maior de todos os seus obstáculos, a chegada da TV nas cidades do interior do Ceará, para viverem a partir do que amam fazer: levar para as pessoas, através dos rolos de filmes, a magia da sala de uma cinema.

Um parabéns especial ao elenco e a característica peculiar de cada personagem, que nos apresentava a cultura cearense e a realidade da década de 70, sob a excelente condução da direção que terminou a história deixando um gostinho de quero mais. 

Um Ceará, um Brasil dos "Brasils" que compõem nosso Brasil. Como relatado no filme, das 184 cidades do Ceará, apenas 04 possuem cinema. Isso me lembra minha cidade, Manhuaçu, e suas indas e vindas do cinema na cidade. Eu não cresci indo ao cinema, mas a TV estava lá presente no cotidiano familiar. Hoje agradeço por morar em Belo Horizonte e ter a oportunidade de me deleitar com as histórias contadas pelo cinema, assim como fico feliz pelo cinema hoje se fazer presente em minha cidade. O cinema traz um encantamento a partir de uma tela enorme, que nos envolve e nos conduz ao seu universo particular, ao qual não mais faz diferença o quão possível ele seja. 

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domingo, 3 de novembro de 2013

Quem somos nós?


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Acabei de assistir o filme: "Quem somos nós? Uma nova evolução", que já estava aqui emprestado do meu amigo há algum tempo, e como acredito que tudo tem sua hora, justamente neste momento de "repensar" sobre a vida e a espiritualidade, assisti este filme. 

Físicos, teólogos, médicos, neurocientistas, filósofos apresentavam de forma bem interessante a visão da ciência e filosofia. São eles: Dr. David Albert (Columbia University), Joseph Dispenza (Life University), Dr. Masaru Emoto (IHMC - Florida Institute for Human & Machine Cognition), Amit GOswami (PhD - University of Oregon), John Hagelin (PhD, especialista na grande unificação dos campos), Stuart Hameroff (MD, Arizona), Miceal Ledwith (Ireland), Lynne Mctaggart (jornalista UK e US, escritora do livro: O campo), Dr. Daniel Monti (Jefferson University), Andrew Newberg (University Candance Pert of Pennsylvania), Dean Radin (PhD, Sonoma State University), Ramtha (Ramtha School), Jeffrey Satinover (Yale University), William Tiller (PhD, professor eméritus Stanford University, Alan Wolf (PhD, UCLA).

A partir das teorias da Física Quântica: entrelaçamento, superposição, dualidade onda-partícula, e condensação estes pensadores vão tecendo possibilidades de como isso transcende para a consciência, e como a consciência pode interferir ou atuar nestes processos. 

O legal do filme, que apesar de demonstrar uma clara tendência da Filosofia da Iluminação, ela permite nos extras mais de 20 minutos para o físico Dr. David Albert (Columbia University) fazer suas colocações contrárias às teorias sugeridas pelo filme. Não há um consenso na Física Quântica nas inúmeras propostas e teorias que temos hoje. Mostrando uma versão mais cética do "poder" da consciência, e resume a vida às equações matemáticas. Sendo assim, ele não acredita que a ciência e consciência podem convergir em algum momento. E apesar de ser muito mais "bonito e consolador" pensarmos que controlamos algumas coisa, todas as evidências científicas mostraram ao contrário, citando Galileu (Terra não é o centro do mundo) e Darwin (origem das espécies), uma realidade mais crua. Mas uma coisa foi realmente comprovado, rebatendo a Física Clássica, que acreditava que o observador era um agente passivo, que seria possível observarmos qualquer fenômeno sem interferi-lo, com o avanço tecnológico. A Física Quântica nos mostrou que o "observador" não é passivo e interfere, mesmo que de uma forma minimizada, no fenômeno, citando o experimento que um feixe de elétrons ao atravessar duas fendas, comporta-se como uma onda, e não como uma partícula, mas quando observado, comportou-se como partícula. 

Sugiro não assisti-lo de uma só vez. Assim como não gosto de ler um bom livro tão rapidamente, quis repetir trechos, e pensar sobre eles. É como um bom vinho. Para degustá-lo melhor, tem que apreciá-lo a cada gole. São tantos nuances, devaneios e informações, que pode-se perder ou perdê-los se não parar para observá-los. 

No filme não há "muita" coisa diferente do que já pensava, e que é dito em tantos meios, seja científicos, religiosos, filosóficos. Um exemplo é o pensamento de que "somos o que mais alimentamos em nós", uma filosofia que sempre carreguei comigo, e que aqui se apresenta com outras palavras. No entanto, nem sempre nos permitimos parar para nos analisarmos, nos auto-conhecer. Na correria e vícios diários perdermos nossa consciência do "eu", ligamos o nosso "automático", a ponto de nem percebermos do que estamos nos alimentando.

Ao contrário do que é dito no filme, que as religiões aprisionam a consciência, eu acredito que elas acorrentam, assim como qualquer outra filosofia/modo de vida que você  permite que lhe "roubem", como já me expressei aqui em outro post. Sendo assim, hoje vejo a religião muito mais como um lugar onde desenvolvo minha espiritualidade, minha "iluminação", que dogmas e ritos, apesar de compreender e respeitar suas importâncias. 

Acredito que este filme não será bem visto para os radicais religiosos ou para os racionalistas e Fisicalistas. Todavia, como em tudo na vida, sempre penso que temos que ter um olhar crítico para o que nos é apresentado, e estarmos abertos para absorvermos o que é bom, o que pode nos edificar, nos fazer bem. Então, indiferente do que se acredita ou professa, existe alguns pontos que achei interessante para refletir:

"...

Nós não aprendemos a sermos observadores. Cada um de nós afeta a realidade do mundo que vemos, mesmo se tentarmos esconder isso e fazermos de vítimas. Está tudo entrelaçado em um grande campo de energia. 

A questão é: até onde você vai descer à toca do coelho? Alice quando desceu à toca, encontrou o Chapeleiro, a representação da loucura, mas da libertação da consciência dela mesma.

As superposições das possibilidades estão em seu subconsicente. Planeje o futuro ou jogue um pensamento à sua frente.

No estudo do Sr. Masaru Emoto, Mensagem da Água, ao analisar a estrutura molecular da água e o que a interfere, fotografou com um microscópio como ela reagiu a eventos não-físicos. A partir de estímulos mentais, como a benção de um padre, palavras de amor, agradecimento coladas em uma garrafa de água destilada e a congelava, mostraram que os cristais das águas formados eram muito mais bonitos do que antes destes eventos, e os cristais referentes à palavras como morte e raiva, eram muito assustadores. Sabendo que grande parte do nosso corpo é água, se os pensamentos podem fazer isso com a água, imagine o que os nossos pensamentos podem fazer conosco?

A maneira como observamos o mundo ao nosso redor é o que retorna para nós. A razão pela qual minha vida não tem alegria, felicidade e plenitude, é porque meu foco não tem estas coisas. Tenho uma mentalidade de vítima? Se eu continuo tendo azar, acidentes e tragédias, talvez seja porque minha mentalidade está basicamente regulada para aceitar que a vida é assim. E assim vai acontecer. Por que eu não consigo alcançar aquelas coisas? Fundamentalmente por falta de foco. Perde-se a atenção 6 a 10 segundos por minuto. Os antigos usavam a chama da vela para meditação. Focar em um canal estreito aumenta a densidade de energia. 

Como podemos dizer que estamos vivendo, se apenas estamos repetindo nossos vícios e programações diárias? É importante reprogramarmos, permitirmos coisas novas para nosso autoconhecimento. Não há pecado. Errar fazer parte do tentar, do autoconhecer. Mas somos responsáveis pelos nossos atos, pelas consequências de nossas escolhas. E elas interferirão no todo. Então é preciso bom senso e iluminação. 

Deus não é aquela figura distante, que fica a escrever nossos pecados. Ele é absoluto. Ele está em nós. Portanto, somos criaturas Divinas. Estamos emergidos em um mar de energia que rege todos os universos.

E por que não fazemos estas coisas? Porque nós ainda não acreditamos que podemos fazer isto. E isso interfere em nossa rotina de vícios pessoais, que nos define. Nunca tivemos tempo de nos importarmos com nada mais que nossas necessidades viciantes. A medida que alimentamos nossos vícios, menos vamos sentindo seu efeito, e as novas células aumentam seus receptores para estes vícios, diminuindo todos os outros canais da célula. Da mesma forma, à medida que vamos repetindo as mesmas ações, nossas redes neurais vão sendo formadas, entrando em um estado de "automático", sendo necessário fazer outras atividades, outros estímulos para que novas formações neurais sejam criadas: neuroplasticidade. 

O mundo macroscópico, o mundo celular e o mundo atômico são diferentes mundos, com suas diferentes níveis de verdades que se completam.  O nível da verdade mais profundo é para os cientistas e filósofos a verdade fundamental do que eu e você somos, a do subnível nuclear/subatômica, o entrelaçamento.
...¨
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domingo, 27 de outubro de 2013

Família: mãe em especial



Família é a nossa base e sustentação.

Na família é onde se compartilha toda a intimidade e a troca diária, e por isso, independente dos defeitos e limitações que ela possui, será sempre nossa família. 

É triste quando vejo uma reportagem de uma pessoa que foi encontrada pela família, em um hospital, depois de mais de 30 anos que saiu de casa por causa de uma briga, e viveu por todos estes anos na rua. De que valeu o orgulho, se a dignidade foi perdida? Quantos e quantos casos de famílias se dissiparem por momentos de raiva. 

Mas é claro que nem toda família pode ser chamada de família, porque não há compaixão quando se refere a violência e abuso sexual e violência doméstica. Digo violência, não educação. Hoje há um problema sério na educação infantil. Confundi-se educar com limites e respeito com violência. Nada se pode fazer, que os pais acabam-se vítimas dos filhos. Ninguém faz curso para ser "pai e mãe", e erros na forma de corrigir o filho podem acontecer. Mas antes nada fazermos, que fazermos e errarmos e sermos julgados pela sociedade. E assim, estamos criando monstros... mas isso é para outro post... 

Infelizmente, como saí cedo de casa para estudar, vivi mais tempo distante do que junto. Mas sabia bem onde recorrer para recarregar-me e buscar minha força.

Meu pai, já nos deixou e assim como o mistério da vida, não sabemos o que acontece depois apenas desejo que ele esteja bem, recebendo todo nosso amor afetuoso e saudoso.

Mas ainda tenho minha mãe, e quero poder vivenciar com ela tudo que lhe for possível para proporcioná-la um sorriso no rosto, uma leveza na alma, luz no coração e uma maior qualidade de vida. 

Um ode à minha família que tanto amo, em especial, à minha mãe!


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Agualusa: Teoria Geral do Esquecimento



Engraçado como os livros me escolhem. Quando entro em uma livraria, sinto-me atraída por alguns sem, a princípio, alguma explicação. Não peço, em geral, indicações ou escolho livros que estão em destaque. Passo por entre eles, e deixo-os me escolherem.
Faz algum tempo que entrei em uma livraria e, mesmo com tantos livros em minha estante, à minha espera, lá novamente fui laçada, e mesmo resistindo, deixei-me seduzir. Um deles, é este que posto, após meu fim do deleite.

Agualusa é um autor angolano, de grande renome na literatura contemporânea internacional. Um autor que não poupa em nos impressionar com os nuances e levezas do eu, contrastando com a nossa realidade mais primária e selvagem: sobreviver.

Luanda, 1975. Ludo opta em se "exilar" em seu apartamento por mais de 30 anos, para se proteger da guerra civil. Uma história rica em personagens que vão sendo tecidos na trama, até se interligarem de forma magistral.

"...Os cães eram mais raros do que os pombos, e os gatos mais raros do que os cães. Os gatos foram os primeiros a desaparecer. Os cães resistiram nas ruas da cidade durante alguns anos. Matilhas de cães de raça....durante mais dois ou três anos, a improvável e deplorável mistura de tantos, e tão nobres pedigress.
   Ludo suspirou. Sentou-se de frente para a janela.... Lembrou-se de Che Guevara.... Vê-lo fazia-lhe bem. Eram seres próximos, ambos um equívoco, corpos estranhos no organismo exultante da cidade. As pessoas atiravam pedra no macaco.... O animal esquivava-se.... mudando de posição, Ludo podia contemplar as antenas parabólicas.... desde há muito tempo que as vias voltadas para o Norte. Todas, exceto uma - a antena rebelde. Outro erro. Costumava pensar que não morreria enquanto a antena se mantivesse de costas para as outras. Enquanto Che Guevara sobrevivesse, não morreria. Há mais de 2 semanas não avistava o macaco, e naquela madrugada, .... dera com a antena voltada para o Norte - como as restantes. Uma escuridão densa e rumorosa, feita um rio, derramou-se sobre as vidraças.... Pensou em Aveiro e compreendeu que deixara de ser portuguesa. Não pertencia a lado nenhum.
   Soube, antes de abrir os olhos, que o temporal se afastara. O céu clareara... Fantasma, estendido em seus pés, ergueu-se num salto... O cão encurralara o macaco ... e rosnava... Ludo, agarrou-o pela coleira... Finalmente Fantasma desistiu... Che Guevara ainda lá estava, observando-a com claros olhos de assombro. Nunca vira em nenhum homem um olhar tão intensamente humano. Mostrava na perna um rasgão fundo... O sangue misturava-se à água da chuva. 
   Ludo descascou uma banana.... O macaco esticou o focinho. Sacudiu a cabeça, num gesto que podia ser de dor, ou de desconfiança. A mulher chamou-o numa voz doce: 
   Vem, vem pequenino. Vem que cuido de ti.
   O animal avançou, arrastando a perna, chorando tristemente. Ludo soltou a banana e agarrou-lhe o pescoço. Com a mão esquerda tirou a faca da cintura e enterrou-a na carne magra. Che Guevara soltou um grito, libertou-se, e em dois grandes saltos alcançou o muro. Estacou ali, apoiado à parede, lamentando-se sacudindo o sangue. A mulher sentou-se no chão, exausta, também ela chorando.    Ficara assim um longo tempo, olhando um para o outro, até que começou de novo a chover. Então Ludo ergueu-se, aproximou-se do macaco, soltou a faca e cortou-lhe o pescoço.
   Pela manhã, enquanto salgava a carne, Ludo reparou que a antena rebelde estava voltada para Sul. 
   Essa, e mais três. "

sábado, 14 de setembro de 2013

Nando & poesia

Nando é sempre Nando.... um grande poeta da nossa música...

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Coração Vago
Nando Reis


Eu sei que não basta simplesmente mais uma vez dizer “I love you”
Até mesmo porque “I love you “ nunca soa bem - meu ingles é péssimo
Eu sei que eu gostaria de agir de um modo diferente mas você nunca pediu pra que eu fosse outro
Mas quem desejaria que outro alguém além do seu amor, pra sua dor fosse remédio?
Então eu preciso te dizer que agora eu sei que até mesmo um grande amor pode não bastar
Aprendi com você que no dia a dia o grande amor abrange sonho e vida real
E eu quero te dizer que eu mudei que já cansei de fingir, fugir, mentir, sumir, não encarar
Não tenho dúvida, é com você que eu quero viver
Mas outras dúvidas eu tenho e elas me atrapalham
Não é um conceito ou um defeito, é só o meu jeito de ser
Sou um sujeito imperfeito
Mas o lado esquerdo do peito
Por inteiro te ofereço
meu coração vago

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Domingo bucólico

É bom se permitir sair de casa para curtir um pouco a natureza ao nosso redor...

Em um curto momento em que sentei debaixo de uma mangueira, deixei-me envolver pela brisa que balançava meus cabelos e que trazia um novo frescor à minha alma.

Amo admirar o sol pelos galhos das árvores, num bailar silencioso. Ah, como é belo a cor da natureza de cada estação! A beleza do rio correndo sobre as pedras, apesar de todos os maltratos humanos.

E a noite... ah, como é bom! Sentir a imensidão da noite em um silêncio intrigante, com toda a riqueza da escuridão contrapondo com a luz das estrelas e a majestosa lua.

Contemplei por uns instantes a natureza que se apresentava para mim tão linda, apesar da triste intervenção humana, e mais uma vez ela me surpreendeu.

Já fui agraciada por um pica-pau fazendo seu trabalho, certa vez, assim como alguns pássaros e borboletas lindas.

Ontem fui presenteada com um tucano. Sim. Um tucano lindo voando e saltando sobre as árvores. Algo que só havia visto no Parque das Aves de Foz de Iguaçu. Mas ali ele estava, lindo, livre e leve. Com tamanha delicadeza sua presença se fazia ali.

Que este tucano, tão raro de ser contemplado, não caia nas garras de predadores, nem seja aprisionado pelo homem. Que ele assim continue, livre e belo, onde estiver agora!

Um bom presente para começar a semana! Obrigada, Natureza Mãe!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Ativista afegã Malalai Joya

... o que posso dizer desta entrevista que li no site do Terra? ... um exemplo de coragem e entrega!


Terra: Imaginou que sua atitude no Parlamento ocasionaria em sua demissão?
Malalai: Você sabe que nosso parlamento não é bem um parlamento, pois não é democraticamente eleito, é uma seleção e não tem significado nenhum. Não é um parlamento democrático, é totalmente governado por traficantes de drogas e pessoas selecionadas. Existe um ditado lá que diz “não é importante quem está votando, mas sim quem conta os votos”. Existe um pequeno número de pessoas selecionadas democraticamente porque, caso contrário, ficaria muito óbvio que tudo é uma fachada e eu fui um desses casos. Consegui entrar democraticamente pela porta dos fundos. Mesmo antes de eu ser expulsa, recebia ameaças de morte, ameaças de estupro, com conteúdo muito misógino. Fui ameaçada com facas e palavrões antes e depois de eleita. Fui eleita duas vezes (2003 e 2005) e eu denuncio esses traficantes. Acabei dividindo o parlamento, que é como um zoológico. Quando entrei, fizeram uma lei que se você insultasse outro membro do parlamento você seria expulso e disseram que essa lei foi feita pra mim. Foi justamente essa lei que usaram para me expulsar, o que é absolutamente ilegal porque fui eleita.
Terra: Não foram poucas as tentativas de desarmar o talibã e levá-los à política do Afeganistão. O que você acha disso?
Malalai: Nestes 11 anos de ocupação o talibã tem tido uma vida muito boa no meu país. Eles são chamados para conversas de paz e negociações e tudo isso fomenta esse regime de fantoches e de fachada. Existem estupradores, investidores da máfia e todos tiveram uma vida muito boa nesses 11 anos. Todos eles estão no poder. Foram liberados de Guantánamo e voltara, para o Afeganistão para ter uma vida boa e ficar no poder. Muitas vezes, com a pressão do Ocidente, as tropas recuam justamente para manter esse regime de fachada, mas esse tipo de paz é muito mais perigosa do que a guerra de fato porque as coisas acontecem debaixo do pano. No Afeganistão queremos mais do que essa paz de fachada, queremos justiça, que respondam pelos crimes que cometeram porque nem desculpas públicas eles pedem. Na guerra civil de 92 a 96 foram 65 mil mortos só em Kabul, quando cometeram atrocidades desde estupros a bebês de 4 anos até senhoras idosas e, desde 11 de setembro essas mesmas pessoas que fizeram isso subiram ao poder. Ou seja, são terroristas negociando com terroristas. São piores que animais. Eles andam em duas patas, mas agem pior que animais de quatro patas. É como se fosse uma guerra em família. O presidente do Afeganistão não vai nem ao banheiro sem consultar a Casa Branca. Os Estados Unidos que criaram o talibã e esses traficantes, são o padrinho desses movimentos. Falo explicitamente que os Estados Unidos criaram isso e até hoje eles investem dinheiro lá e mandam recursos para manter esses interesses sujos no Afeganistão.
Terra - Qual sua expectativa para as próximas eleições no Afeganistão?
Malalai - Baseado em minha experiência, será a mesma coisa que aconteceu nas últimas eleições. Nesses 11 anos eles ficaram ainda mais poderosos. Se as últimas eleições foram fraudulentas essa com certeza também será, ainda mais porque existe mais dinheiro por trás. Além disso, as pessoas recebem ameaças de morte para não participarem das eleições, ou seja, as eleições não têm significado nenhum. São apenas uma ferramenta para legitimar um poder totalmente de fachada. O burro muda, mas a cela continua a mesma, e essa cela é a Casa Branca manipulando esses fantoches e colocando quem quiser no poder.
"Todos os dias olho a morte nos olhos e quando saio de casa não espero voltar viva e isso não é uma particularidade minha, mas sim de todo meu povo"
Malalai Joya
Esse período todo de ocupação deixou uma crise enorme no país, além de ser uma atividade totalmente criminosa o que os EUA fazem por lá. Então uma pessoa como Edward Snowden vem a público para expor a natureza criminosa desses atos e eles trazem de volta alguns milhares de soldados, mas nove bases militares foram legalizadas para continuar lá, ou seja, essa influência continua no Afeganistão. É um discurso totalmente contraditório. Ao mesmo tempo que falam que vão tirar as tropas, falam em colocar 9 bases permanentes. Além desse discurso, tem um discurso de propaganda junto com as pessoas. Se os EUA saírem acontecerá uma guerra civil, pois as pessoas têm medo da época em que os traficantes comandavam. Ninguém fala sobre essa guerra civil, pois as pessoas têm medo dessa guerra civil no futuro, mas isso já está acontecendo.
A chamada comunidade internacional deu mais de US$ 65 bilhões e tudo isso foi para o bolso dos traficantes. Mais de 90% do ópio do mundo é produzido no Afeganistão e quem acaba consumindo localmente são mulheres e crianças. Mais de 80% da população vive abaixo da linha da pobreza, pessoas vendem bebês por US$ 10. O Afeganistão é o segundo país mais corrupto do mundo e o pior país para se tornar mãe, além de uma série de fatos que mostram a violência contra as mulheres. Quem tem que ser criminalizada é a Casa Branca que está lá há 11 anos praticando crimes de guerra. O Barack Obama é o segundo Bush e ainda mais perigoso que o próprio Bush. Por isso (a ocupação) é tudo fachada. Lá no Afeganistão urinam nos corpos dos civis, por exemplo. A democracia não vem pela invasão militar, invadindo casamentos e festas, não vem pela ocupação, vem justamente com hospitais e educação”, disse.
Terra - Você disse que já sofreu sete tentativas de assassinato. Como é seu dia a dia, sua rotina?
Malalai - Minha vida é totalmente diferente porque digo a verdade desde 2003. Não posso viver no silêncio. Minha vida fica mais difícil a cada dia porque continuo fazendo as denúncias. Mostro os atos desses traficantes, como uma menina de 16 anos que foi estuprada há poucos dias. Não vou ficar calada. Um dia vão conseguir me matar, mas não vão conseguir matar minhas palavras. Dois guarda-costas e eu fomos parar no hospital e quanto mais ameaças de morte eu tenho, mais determinação e coragem eu tenho. Tem um ditado afegão que diz: “a morte pode vir agora, mas não serei eu a procurá-la”. Se é que ela é inevitável, o que importa é o meu impacto na vida dos outros. Eu mudo de casa a todo momento, mas tenho muito apoio de pessoas, principalmente financeiramente, principalmente de pessoas que sofreram com a guerra. Tenho meus guarda-costas, que são muito caros, pois pago hospital e tratamento médico a eles. Não posso trabalhar por questões de segurança. É um projeto muito grande, mas consigo me virar.
Terra - Você tem medo de morrer?
Malalai - É claro que quero viver. Sou uma jovem, tenho apenas 35 anos e como jovem também tenho meus desejos pessoais. Sou muito tímida para falar sobre isso, mas tenho meus desejos. Tenho muito esperança, mas entendo que faço parte de uma geração que vive na guerra. Todos os dias olho a morte nos olhos, e quando saio de casa não espero voltar viva. Isso não é uma particularidade minha, mas sim de todo meu povo. Mas eu denuncio esses crimes. Meu poder é o poder dos “desimpoderados”. Espero que essa fama que ganhei ajude no futuro do meu país, pois acredito na causa. Um dia todos nós vamos embora desse mundo, mas aceito esse fato porque a causa pela qual eu luto é boa. Quando eles me eliminarem, que não matem meus apoiadores e guarda-costas. Algumas pessoas dizem que não têm medo, mas eu não acredito. Todos querem viver e têm medo de alguma coisa. O importante para mim é lutar. Aqueles que tentam podem falhar, mas os que não tentam já falharam.
Terra - E quais são esses seus desejos pessoais?
Malalai - Como uma jovem, faço parte dessa geração de guerra. Com quatro dias de vida, a Rússia ocupou meu país. Depois outras ocupações vieram. Sou de uma geração que não conhece a paz. Minha vida, perto das dificuldades do meu povo, não é nada. Por isso digo que sou tímida para falar disso. Poderia falar que gosto de música, tenho um filho, tenho sonhos para minha própria educação, ficar mais com minha família, gostaria de ter um emprego, porque hoje não posso ter. Todos os desejos que uma jovem tem, mas quando penso em mim e no meu filho, penso que ele não é melhor que outros bebês afegãos. Aceito essas dificuldades justamente por ser porta-voz do povo. É como fazer um poema de amor, mas não é o momento. Temos que dar a vida pelo país e podemos fazer um poema de amor ao nosso país. Eu não quero falar sobre o que eu amo, porque o que eu amo é meu país e meu povo.
Terra - O que acha de ser conhecida como a “mulher mais corajosa” do Afeganistão? Concorda com isso?
Malalai - Isso me torna mais humilde. Eu não sou apenas uma lutando pelo meu país, como diz a música do John Lennon (Imagine). E esse mal-estar é totalmente generalizado e principalmente entre as mulheres. Vejo isso como sinônimo de apoio e solidariedade. Sinto como se estivesse seguindo o caminho de heróis do meu país e isso traz mais responsabilidade em meus ombros.
Terra - Você tem noção da importância de seu trabalho para o seu país e para o mundo?
Malalai - É importante não só para mim, mas para todo Afeganistão. No mundo, a coisa mais importante é que viemos no mesmo formato, o formato de seres humanos e por isso temos que ser unidos. Quanto mais conquistas de todos, menos desafios teremos. Outro ponto importante é a conscientização. Todos temos que saber o que aconteceu na Síria, no Egito, em que um ditador entra e um povo resiste. O mundo está indo na direção certa. Essa resistência popular é um indício disso, como no Brasil. Essa vitória aqui no Brasil também é minha vitória. O que os Estados Unidos fizeram no Iraque é inesquecível e imperdoável. No mundo de hoje não há mais fronteiras, sobretudo com mídias sociais. Existe a união, a conscientização e o terceiro pé do tripé é a luta, para concretizar tudo isso. O feminismo fala sobre igualdade e não soberania. É como se a sociedade fosse um pássaro com duas asas, uma delas é o homem e a outra é mulher, voando juntas.
Joya também escreveu uma biografia com o escritor canadense Derrick O'Keefe, com o título de Raising My Voice" (Levantando minha voz, em inglês) Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Joya também escreveu uma biografia com o escritor canadense Derrick O'Keefe, com o título de Raising My Voice" (Levantando minha voz, em inglês)
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Terra - Com a gradual retirada das tropas americanas do Afeganistão, o país terá condições e maturidade para se reerguer?
Malalai - Nessas quatro décadas de guerra, precisamos de ajuda, de uma mão, mas de uma mão honesta, e não dos Estados Unidos, que têm muitos interesses por trás. Não esperamos que façam nada de bom, só que parem de fazer as coisas ruins. Acredito no poder do Estado, mas é preciso que nos deixem respirar para tomar esse poder. Houve um encontro dos traficantes recentemente na Alemanha para discutir a situação do Afeganistão, e discutiram transformar o sistema em parlamentarismo, o que significaria o feudalismo novamente. Os Estados Unidos propuseram dividir o Afeganistão em oito partes, e isso é só uma proposta. A árvore da liberdade no Afeganistão está sendo regada com sangue, infelizmente. Eu sou contra armas, mas preciso de armas para sobreviver e mandar as mensagens. Talvez se estivessem sozinhos conseguiriam se reerguer, mas não atualmente, com todos esses interesses econômicos por trás. Temos três inimigos: o Talibã, os traficantes e a ocupação. Se a ocupação sair, será um grande esforço que vai desaparecer porque é a espinha dorsal, o que sustenta tudo. É o que dá dinheiro para as outras duas. Não é que não queremos estrangeiros no nosso país, mas quem queremos são os amantes da paz, os que acreditam na democracia.
Terra - Acha viável diplomaticamente para o Brasil virar as costas para os Estados Unidos?
Malalai - Acredito que deveria acontecer. É possível como países como Cuba e outros países latino-americanos, como já disse. O Brasil deveria fazer isso e levantar a voz contra os Estados Unidos, se tornar independente dessa influência, como fizeram Líbia e Egito. Isso teria um grande impacto em países que vivem em guerra, como o Afeganistão
Terra - O que acha da mulher brasileira? Acha que são livres como deveriam ser?
Malalai - Não existe igualdade de gênero em nenhum lugar do mundo, nem em países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos. É claro que não dá para comparar as mulheres brasileiras com as de países em guerra, como no Afeganistão, mas acredito que sofrem de maneiras diferentes. Não tem comparação, mas é justamente na união, não só das mulheres de um mesmo país, mas de vários, que isso se torna a solução. Temos um ditado muito comum no nosso país, que diz que o “direito não é uma coisa dada, mas sim conquistada, não é uma linda flor que é presenteada, você tem que lutar por isso”.
Terra - Acha que a mulher afegã e a brasileira têm coisas em comum?
Malalai - É claro que a mulher, não só a brasileira, mas todas têm coisas em comum, por exemplo a violência doméstica, estupros, a luta feminista, a pobreza. E acredito que os homens devem se unir pelo direito das mulheres. As mulheres afegãs e brasileiras têm outras coisas em comum, como a interferência dos Estados Unidos, mas acima de tudo temos coisas em comum como seres humanos. Todas as pessoas que acreditam na democracia devem se unir e se levantar contra essas atrocidades.
Terra: Qual é o seu mundo ideal?
Malalai: Sonho com um mundo em que haja justiça, democracia. Um mundo em que as mulheres tenham direitos, um mundo sem fronteiras, sem ditadura. Um mundo em que todos que cometeram crimes sejam julgados. Um mundo de paz e direitos iguais e que nenhum sangue seja derramado. Um mundo com educação para vida, para ponderar homens e mulheres. Você conhece o poema (sic) “I have a dream”? Esse é o meu mundo.

domingo, 11 de agosto de 2013

Conto de aprendizado

Certo dia, num grande castelo, com a morte do Guardião, foi preciso encontrar um substituto. O Grande Mestre convocou, então, todos os discípulos para determinar quem seria a nova sentinela. O Mestre, com muita tranqüilidade, falou:

- Assumirá o posto o primeiro que resolver o problema que vou apresentar.

Então, ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo, e disse apenas:

- Aqui está o problema.



Todos ficaram olhando a cena: o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro.

O que representaria? O que fazer? Qual o enigma? Neste instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre e os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e .... ZAPT...... destruiu tudo com um só golpe.

Tão logo o discípulo retornou ao seu lugar, o Mestre disse:

- Você será o novo Guardião do Castelo.

Moral da história:

Não importa qual o problema, este precisa ser eliminado. Um problema é um problema.

Por mais lindo que  seja ou tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, tem de ser suprimido.

domingo, 28 de julho de 2013

Papa e a Jornada Mundial da Juventude



Realmente foi muito emocionante a vinda do Papa ao Brasil, e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) trouxe um espírito de unidade entre diferentes culturas do mundo inteiro. Em alguns dias, o mundo era um em torno do amor, da alegria e da fraternidade. 
É com enorme carinho que posto aqui este lindo acontecimento vivido aqui no Brasil, e que apesar de longe, como uma expectadora a distância pude ser contagiada pelos inúmeros momentos de manifestação de fé e acolhimento tanto do povo brasileiro e do mundo todo, quanto de nosso Papa Francisco. 
Um mensageiro despojado do material, capaz de contagiar a todos de esperança com seu sorriso sincero e sua tamanha delicadeza. Peregrinar e se entregar ao povo foi um gesto de quem acredita ainda no ser humano, mesmo diante de uma sociedade tão perdida em seus valores, onde a violência se sobrepõe à vida. Lá estava ele, corajoso e desprendido, não como uma afronta, mas como alguém que tem fé no outro. É bom poder ainda acreditar na humanidade.
Paz e bem!


"Queria lançar um apelo a todos os que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário! Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo! Cada um, na medida das próprias possibilidades e responsabilidades, saiba dar a sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais! Não é a cultura do egoísmo, do individualismo, que frequentemente regula a nossa sociedade, aquela que constrói e conduz a um mundo mais habitável, mas sim a cultura da solidariedade; ver no outro não um concorrente ou um número, mas um irmão. E todos nós somos irmãos."

"Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício. [...] nunca desanime, não percam a confiança", afirmou no discurso. "A realidade pode mudar, o homem pode mudar".

"Nenhum esforço de 'pacificação' será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma"

"No coração jovem de vocês, existe o desejo de construir um mundo melhor. Acompanhei atentamente as notícias a respeito de muitos jovens que, em tantas partes do mundo, saíram pelas ruas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Mas, fica a pergunta: Por onde começar? Quais são os critérios para a construção de uma sociedade mais justa? Quando perguntaram a Madre Teresa de Calcutá o que devia mudar na Igreja, ela respondeu: você e eu!'

"Mas, atenção! Jesus não disse: se vocês quiserem, se tiverem tempo, mas: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Partilhar a experiência da fé, testemunhar a fé, anunciar o Evangelho é o mandato que o Senhor confia a toda a Igreja, também a você. É uma ordem sim; mas não nasce da vontade de domínio ou de poder, nasce da força do amor, do fato que Jesus foi quem veio primeiro para junto de nós e nos deu não somente um pouco de Si, mas se deu por inteiro, deu a sua vida para nos salvar e mostrar o amor e a misericórdia de Deus. Jesus não nos trata como escravos, mas como homens livres, amigos, como irmãos; e não somente nos envia, mas nos acompanha, está sempre junto de nós nesta missão de amor."

domingo, 23 de junho de 2013

Reflexão sobre as manifestações

João Doria entrevista Padre Fabio de Melo e fazem um a reflexão sobre as manifestações que ocorrem em todo país.



video

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Imprensa x Manifestantes

Achei muito bom o comentário, então deixo postado:

http://portal.comunique-se.com.br/index.php/sub-destaque-home/72096-protestos-validos-mas-por-que-culpar-a-globo

Dias depois dos inícios dos protestos que tomaram as ruas de grandes cidades do país, a postura da polícia foi modificada (deixando de ir ao combate), os temas reinvindicados também se alteraram (muito além de R$ 0,20) e até a cobertura da imprensa, de modo geral, passou por mudanças (com mais destaques aos eventos que levaram milhares a passeatas). Uma ação de parte dos manifestantes, entretanto, não mudou: ofensas a veículos de comunicação, em especial à Rede Globo.
Em certos momentos, xingamentos foram direcionados aos repórteres globais que estavam nas ruas justamente para cobrir os protestos. No Comunique-se, repercutiu-se a notícia que, na última quinta, 13, Vandrey Pereira teve que deixar a cobertura da manifestação no Rio de Janeiro sob escolta de seguranças da empresa. Nessa segunda, 18, foi a vez de a equipe do ‘Profissão Repórter’ ouvir termos hostis contra o canal. Caco Barcellos e um cinegrafista da atração foram “expulsos” do evento.
Movimentos como o ‘Passe Livre’ e outros que surgiram nas últimas semanas são válidos. Mostram que o brasileiro, desde jovens a idosos – passando por executivos engravatados -, está cansado da atual situação. Cansou de saber que muito dinheiro público está sendo usado para realizar a Copa do Mundo mais cara da história. O povo demonstra que o momento do basta chegou. E irá às ruas quando considerar necessário. O basta, as manifestações e os gritos de guerra precisam de direção. O alvo, porém, deve ser a estrutura política do país, não a mídia.
O que manifestantes parecem não lembrar, uma vez que as ações agora vão além do aumento da passagem do transporte público, é que assuntos citados durante os protestos são de conhecimento geral graças ao trabalho da imprensa. Há anos que a editoria de esporte deixou de divulgar apenas os resultados da semana. Relatos da gastança na construção das arenas para a Copa de 2014, por exemplo, são divulgados por jornais, emissoras de rádio, TVs e portais noticiosos.
Criticar a imprensa parece ser, por vezes, o caminho mais fácil. Muitos - nem mesmo em manifestações, mas pelas redes sociais – costumam se referir a determinados veículos de comunicação como “alienadores” da sociedade. Como se fosse culpa da emissora X ou da revista Y a situação da educação do Brasil - com analfabetismo funcional e professores apanhando de alunos (citar o quesito salário desses profissionais é baixaria). Pelo contrário, a mídia denuncia e expõe essas aberrações existentes por aqui.
Relembrar casos de manifestações que tiveram sua origem (ou relação) no que foi reportado pela imprensa é importante. No impeachment de Collor, em 1992, tivemos os “Caras Pintadas”. Mas será que esse movimento existiria com a tamanha força caso tantos jornais e revistas não dedicassem espaços em suas páginas, em suas manchetes, para o que acontecia na “República de Alagoas”? Os “Caras Pintadas” iriam às ruas se a mídia não divulgasse sem cessar o esquema envolvendo PC Farias?
Avaliar a conduta da imprensa é válido em qualquer situação, em qualquer país, ainda mais em uma democracia. Mas enxergar a mídia, ou parte dela, como a grande vilã do Brasil é delírio. Repetir “Sai daqui” para Caco Barcellos ecoa até como ironia (da mais sem graça possível). Pena que, no evento dessa segunda, não foi. Ele é simplesmente o jornalista responsável pela obra que denunciou a postura agressiva – e até homicida – da Rota, tropa da Polícia Militar de São Paulo. Polícia essa que atuou contra manifestantes na semana passada.
Coube a Caco abandonar a tentativa de acompanhar o protesto realizado na capital paulista nessa segunda. Ele sabe que, em suma, a crítica não foi contra ele, mas à empresa em que trabalha. “Central Globo de Mentiras” e “Fora Globo” foram algumas das frases gritadas por manifestantes. Postura que leva a crer que foi a emissora quem prometeu durante campanha eleitoral criar o bilhete único mensal a R$ 145,00 e, depois de cinco meses à frente da Prefeitura, decidiu jogar a tarifa de ônibus para R$ 3,20.
Ir às ruas protestar é democrático. Porém, é necessário se atentar para não criar inimigos que nunca existiram e, por tabela, esquecer de quem merece ser cobrado. Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado que o diga. Antes de repudiar a Globo ou outro veículo de comunicação vale a reflexão: a mídia foi quem deixou o Brasil como está? Editor da Veja em Brasília, Daniel Pereira usou o Facebook para externar a verdade. “Acham a Globo vendida, odeiam a Veja? Paciência, mudem de canal, leiam outra revista. Ninguém é dono da verdade, e violência, qualquer violência, tem de ser condenada - e não só a policial”.
A democracia está representada nos protestos que desde a semana passada são realizados no Brasil. A democracia está representada na liberdade de expressão. Emissoras de TV, jornais e revistas não são obrigadas a elogiar ou destinar 100% de seus conteúdos para essas manifestações. Sim, a democracia também está representada nas críticas contra os meios de comunicação. Tenho certeza, contudo, ser muito melhor acompanhar grupos que clamem por “fora corrupção” do que ouvir a ira dos que gritam “fora Globo”. Se a corrupção for embora, seremos um país melhor. Se apenas a Globo - ou outra empresa de mídia - for embora, não iremos melhorar, pois com corrupção não há como ter melhorias em nada. Com corrupção, não temos plena DEMOCRACIA.
(*) Jornalista, 23 anos. Formado pela Universidade Nove de Julho (Uninove). Há quatro anos no Grupo Comunique-se, onde já atuou como freelancer (inserção de conteúdo), estagiário de pesquisa, estagiário de redação e repórter. É, desde julho de 2012, subeditor do Portal Comunique-se e consultor do Comunique-se Educação.