terça-feira, 30 de setembro de 2008

Ciclo


Indico o vídeo a "História das coisas", apesar de ser um pouco longo, algo em torno de 21 minutos, ele mostra, sem menor censura, o ciclo vicioso que nos encontramos. A loucura do mundo atual com suas inconseqüentes necessidades de ser, ter e poder. Abrindo para um consumismo desenfreado e uma superficialidade da vida.

Além disso, também foi ousado ao dizer sobre o extrativismo que existe dos países mais ricos que mantêm sobre seu jugo os de terceiro mundo. No livro As veias abertas da América Latina - Eduardo Galeano, que confesso não ter terminado de lê-lo, mas pretendo, retrata toda colonização dos países latinos e como cidades que eram poderosas durante a extração do outro se tornaram miseráveis com o fim de suas reservas. Só que situações assim ainda são realidades em muitos países, as veias ainda estão abertas, como comentado numa interessante entrevista do Galeano para o Jornal Poiésis. E se não houver uma mudança de "mentalidade", os recursos que são findáveis, que hoje geram riqueza e nobreza à população, um dia os levarão ao esquecimento e abandono.

E como foi bem dito no vídeo: Como fomos nós humanos que geramos todo este caos que hoje nos encontramos, e que está à beira de um colapso, então, somos nós humanos que temos que mudar! Que venha a consciência sustentável!

Posto um outro vídeo bem estimulante e que acredito que tem tudo a ver com este assunto! Vamos renovar a espécie humana! Resgatar a Natureza, o Natural! Vamos respeitar! Vamos amar!


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OBS: Obrigada Binho pelo link da História das coisas!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Temor


Compartilho este vídeo que traz a mim um profundo temor à grandeza da Natureza, à grandeza de Deus.

Contudo, muitos podem remeter temor a medo, mas isso é apenas uma confusão lingüística, já que temor remete respeito, e é justamente este sentimento que exprime em mim quando me deparo com tamanha beleza, quando me deparo com nossa pequenez humana.


Um incível mix de temor e paz.


Quais são suas sensações ao ver este vídeo?



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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Liberdade



Direito de escolha

Críssia Paiva


A aceitação de todos a respeito de nossas escolhas e do nosso jeito de ser, assim como o controle da situação e das conseqüências dos atos que tomamos nunca teremos, e isto é fato! Então que garantamos apenas o direto de escolha!


Algumas escolhas que tomamos nem sempre se referem apenas à nossa vida, muitas vezes afetam ao outro também. Então deixam de ser “nossas escolhas” e passam a ser “nossas mais do outro”, para que desta forma, seja aberto o direito de liberdade!


Como retratado no livro Neve – Orhan Pamuk, cujas mulheres de uma cidade turca se vêem atormentadas pela imposição do Estado Republicano, que lhe usurpam o direito de estudar caso usem o manto, intimidando-as com a exclusão social e preconceito, e ao mesmo tempo elas se vêem divididas pela imposição divina, ditada pelos líderes religiosos islâmicos que usam do símbolo do véu como uma forma de manipulação política através dos fantoches que as mulheres se tornam, mostra claramente que não há o direito de liberdade. Há controle.


Assim, quando os pais querem que os filhos realizem o que eles não conseguiram, ou até mesmo quando eles prescrevem para o filho exatamente os seus caminhos, de forma a assegurar que a “receita de bolo” da vida do filho saia tudo certo, conforme acontecera com ele, não é liberdade, é controle.


Quando em um casal, um deles decide ceder aos seus desejos extraconjugais, que ele dê o direito de escolha à sua companheira. Ela pode esperar e aceitar, optar por um relacionamento aberto, e serem felizes assim. Ou cada qual pode recomeçar sua vida para uma nova relação. Caso não lhe seja cedido este direito, é controle, não liberdade.


Não há escolha certa, assim como não há jeito de ser certo, como disse anteriormente em um dos meus devaneios: Não existe jeito certo, mas existe jeito sincero. Independente de qual escolha a ser feita, haverá perdas e ganhos. Mas é imprescindível que o direito de escolha seja dado. Porque toda forma de controle é falha. Uma hora ela pode causar danos irreparáveis e conseqüências desastrosas. Não obstante, como acontece quando uma partícula de nêutron que se choca com um elemento físsel, principiando uma reação em cadeia. Eis a bomba atômica e toda sua destruição arrebatadora.


O livre arbítrio é um risco e por isso tão especial. Só quando há tamanho amor ao próximo e maturidade que conseguimos libertar o outro de nossas imposições, de nossas crenças, de nossas opiniões, de nossos gostos, de nossas expectativas, de nosso jeito de viver, de nosso controle. E o desapego torna-se um elemento necessário para se reaprender amar, porque o amor é livre, e tentamos segurar o outro junto a nós, ao nosso modo, sob nossa guarda e tutela. Por isso que se é um trabalho constante, que precisa estar atento sempre, porque a todo instante estamos “amarrando” alguém à nossa “verdade”, ao nosso “querer”, seja um colega de trabalho, seja um vizinho, seja um familiar, seja um amigo, seja um companheiro.


Então, como foi bem colocado no filme O Todo Poderoso, com Jimmy Carey, quando ele tentava impor seu amor à sua esposa que já não o reconhecia na pessoa que ele se tornara, e mesmo ela o amando muito, ela usou do seu direito de escolher não querê-lo em sua vida, da forma como ele estava, no seu mais exarcebado imaturo alter-ego. Foi quando ele perguntou para Deus, no papel do Morgan Freeman, como Ele poderia fazer as pessoas amá-Lo dando-lhes o livre arbítrio? Eis minha realidade, O respondeu. Então, quando ele se re-avaliou, buscou ser uma pessoa melhor, e encontrou-se em paz consigo mesmo, ele a reconquistou e ela o escolheu novamente em sua vida.


Gosto também muito do trecho do livro A menina que roubava livro – Markus Zusak, quando a Morte, que era o locutor do enredo, diz que o ser humano a surpreendia muitas vezes, porque no momento em que se findavam alguns tinham atitudes sublimes e belas, contudo, o ser humano tinha o bom senso de morrer.


A morte é a única coisa que realmente não temos o direito de não escolher. Alguns até a apressam, outros tentam prolongá-la até o último suspiro permissível. No entanto, todos nos depararemos com ela um dia.


Nosso derradeiro destino talvez nos ensine que por mais que tentemos controlar tudo e todos à nossa volta, somos tão frágeis e pequenos que temos destino certo: morrer um dia. Podemos até reclamar, tentar, mas não podemos lutar contra este inevitável e incontrolável fim.


Que nossa pequenez humana nos ensine a vermos com humildade o quão pequeno e igual somos, e que por isso mesmo, não façamos como alguns dos cegos das camaradas no livro Ensaio sobre a cegueira – José Saramago, que mesmo encontrando-se nas mesmas condições de limitações que todos ao seu redor, impuseram seu controle, seu poder sobre os outros. Pura vaidade humana! E por mais que perduraste por alguns terríveis e tristes momentos para os que ali estavam sendo submetidos à tamanha barbárie, um hora veio o despertar, e como uma revolução incontrolável, libertaram-se, e então, veio-se a luz. Não a luz branca que lhes encarceravam tanto nas suas fragilidades, mas a luz plena, que tudo vê, e que, consequentemente, lhe permite escolher novos horizontes.


Então que enquanto vivos, permitamos ao outro o direito de escolha. Re-aprendamos a amar o outro todos os dias, nos desapegando de nosso egoísmo, de nossas expectativas, de nossos “quereres”, de nossas vaidades, de nosso controle! Deixemo-lhe ser livre, para que assim, possa lhe ser dada à escolha de ser sincero com ele mesmo e, por conseguinte, conosco.

Ser

Não existe jeito certo, mas existe jeito sincero!

Críssia Paiva


As pessoas, às vezes, se deparam com situações em suas vidas com as quais possui a doce ilusão de procurar o certo ou errado. Eis o paradigma: qual a verdade, então?


Não há verdade! Há no máximo um tênue limiar do respeito com o outro, com seu jeito de ser. Aí que se encontram tantos enganos e complicações. A questão está em saber se este limite está sendo confundido com os conceitos de tolerância e aceitação de quem está recebendo a ação ou se está causando a dor ou o incômodo por este porque o sujeito está realmente ultrapassando os limites da alma e do coração do objeto, a ponto de feri-lo a queima roupa.


Não importa qual a religião você segue, sempre a “sua” fé será a que salvará e a que nos levará para o céu. Não importa qual estilo de música você ouve, porque este sempre será o melhor e mais completo som para os “seus” ouvidos. Não importa qual time de futebol você torça, mesmo quando ele for para a última divisão, ele ainda será o mais vibrante. Não importa qual curso você se formou, ele sempre será o mais perspicaz e poderoso de todos os outros. Não importa em que trabalha, ele será sempre o mais árduo e exigente. Não importa se você está solteiro, será mais feliz do que qualquer comprometido, por poder flertar fugazmente com vários, assim como quando está comprometido será mais feliz que todos os solteiros justamente por estar vivendo um amor verdadeiro. E assim por diante. Uma necessidade constante do nosso ego de se sentir especial, diferenciado entre tantos, mesmo que para isso, seja feito pelas marcas da guerra, ou que seja feito pela glória.


Então o que é válido nesta vida? Como as respostas são mais complicadas que pensamos, então vamos pelo caminho mais óbvio, seja sincero. Sincero com você e com as pessoas ao seu redor. E se assim se encontrar em paz, pronto. Não há mudanças radicais a serem feitas. É o seu jeito de viver, são suas escolhas, é sua vida.


Talvez alguém me indagasse: mas e se houver alguém magoado ou enraivecido com ele? Ou ferido por ele? Aí vem outra pergunta, esta pessoa está assim porque ele não está fazendo conforme suas expectativas e desejos ou porque realmente há uma falta de “senso” de limite desta pessoa? Caso a resposta seja a segunda, saiba que com certeza, em paz esta pessoa não está. Não há maior juiz que nosso próprio subconsciente, se algo anda errado em nós, precisando ser reavaliado, ser mudado, nosso espírito se encontra em profundo desalento. No entanto, se ainda assim, a pessoa não conseguir se encontrar em paz, não conseguir rever os seus atos que tanto inquietam seu coração, aí uma mão amiga, um abraço dos pais, o apoio da família, o companheirismo da pessoa amada, um acompanhamento profissional poderão atuar para ajudá-lo, respeitando suas limitações e ajudando-o a trabalhar seu eu.


Há uma grande diferença entre a cegueira branca, em que muitas vezes nos encontramos, como no Ensaio sobre a cegueira – de José Saramago, que muito recomendo conhecerem, e que pretendo falar dele em breve, e o se aceitar.


Quando admitimos que seja assim que queremos ser, não importa como, apenas seja sincero. Sincero com quem está ao seu lado, sincero com você mesmo. Não faça do ludibriar, da mentira e do auto-engano meios para esconder o que realmente se é. Isso vicia. Além do mais, assim, não estará somente ferindo as pessoas que tanto o amam ao seu redor, mas também se acomodará na tão doce estupidez humana, na cegueira branca.


Quer viver relacionamento aberto? Divida isso com sua companheira e dê a ela o direito de escolha, mas nunca a faça de boba, escondendo suas relações extraconjugais, se achando esperto demais para manter esta situação, porque apenas representam a sua imaturidade e o seu egoísmo, e como toda verdade, um dia ela virá e será tarde demais para evitar que se sangre tamanha desilusão e se perda o que talvez lhe fosse mais precioso. Quer parar de estudar e trabalhar? Converse com seus pais e mostre a eles que poderá sobreviver assim e ser feliz, mas não os faça criar expectativas e investimentos que não terão retorno. Sua filha adolescente quer namorar? Seja sincero com ela sobre seus medos, mas não faça deles justificativas para prendê-la, porque assim, ela agirá às escondidas, usando dos subterfúgios dos instantes furtivos para precipitar momentos que poderiam ser vividos há seu tempo. Quer casar e não acreditam em nada? Então sejam sinceros e não faça dos “celebrantes de fé” apenas personagens fantoches do espetáculo particular de vocês. Gosta de sertanejo e seus amigos de rock? Seja sincero com eles, por mais que eles façam algumas piadinhas, se você for coerente com suas escolhas e gostos, não se fazendo do tipo mascarado ou espertalhão, eles o respeitarão e aceitarão.


Talvez viver seja um dos maiores mistérios do universo. Nunca sabemos ao certo como seguir, qual a melhor escolha a ser feita, quais oportunidades estamos abrindo mão ao optarmos por outra, ou porque certas coisas nos acontecem ou simplesmente não acontecem. O fato é que perdemos e ganhamos o tempo todo na vida. Seja com nossas escolhas, com nosso jeito de ser, seja pelas escolhas e pelo jeito de ser do outro. Então, o mais importante é encontrar-se em paz com o caminho que está trilhando, e para isso, nada mais trivial que começar por sendo, simplesmente, sincero.




quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Começar!


Enfim darei início à publicação de meus devaneios....


É sempre complicada esta parte, mas tentarei me permitir. Derramar-me já faz parte de minha natureza, que outrora usava de outros meios para fazê-lo. Agora faço do meu mundo digital, mundo de Corydora, um meio para expandir meus sentidos, minhas inspirações e expirações.

Quando algo suscita em meu coraçãozinho, é como se fosse uma brasa quente que precisa ser derramada para que assim, o molde seja feito, e o trabalho concluído. Ou como o agitar das asas de uma borboleta esperando ansiosamente por libertar-se do seu casulo e voar.


E incrivelmente, ao ser findado, vem uma paz aconchegante para o que até então eu sentia como um inquietante desalento. Como se uma imensidão de sentimentos que havia em mim como um tremendo turbilhão que precisa ser expelido, encontrasse agora em profundo sossego, sentindo-se realizado, gozado, fecundado.


Que se abram as cortinas! Sejam bem-vindos ao meu mundo e façam parte dele!