quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Discurso ECO

Este discurso do vídeo é um daqueles que não só nos fazem pensar: "por que agimos de forma tão autodestrutiva assim?". Por que esperamos vir apelos das crianças? Será que somos tão cegos que não conseguimos ver os efeitos de nossos próprios atos? Não éramos nós que devíamos de protegê-las? Então, por que fazemos tão pouco para mudar?

Severn Suzuk, canadense, na época com 12 anos, falou corajosamente durante a Eco 92, há 16 anos. Então eu pergunto: por que ele ainda é tão contemporâneo? E ainda mais emergencial?

A indignação que esta criança carregava consigo naquela época é a mesma que se perdura desde então, podendo-se perceber apenas sutis mudanças desde então. O que mais é preciso para que algo realmente mude? O que mais precisa ser dito? Ser feito?

Uma única coisa é certa: não podemos esquecer estas verdades!
Não podemos perder ainda mais nossos valores! Não podemos perder por completo o respeito pela vida, nem tomarmos o profundo gosto de destruir.

Confesso que certas coisas não entendo, e frequentemente dói meu coraçãozinho quando vejo alguém jogando lixo nas ruas, pelas janelas dos ônibus, dos carros. Indiferente do grau de instrução, classe social. Quando se deparam com situações cotidianas, simplesmente lhes são esquecidos os "discursos" que muitas vezes eles mesmos repetem, assim como as ovelhas da Revolução dos Bichos - George Orwel, como já citei outra vez, no post Pausa para política (out/2008). É como se separassem o "saber" da cultura rotineira. Como se a consciência fosse totalmente respaldada pela inércia das "costumeiras atitudes".

E acredito: tudo é cultura. A cultura do desperdício, como bem contada na História das coisas, que retratei no post Ciclo (set/08). A cultura da comodidade, de pensar em "jogar no chão para o catador de lixo pegar", esta que me consterna o fato de ninguém pensar: não seria mais fácil colocar nas lixeiras? Ou em lugares próprios para reciclagem? E se chover e aquela lata for parar no bueiro antes de o catador chegar, ou até mesmo se o catador não passar e ela ser mais uma das inúmeras causas de entupimentos e alagamentos em períodos de chuvas, gerando enxurradas. A cultura da ineficiência, onde existem situações como a falta de lixeiras, algo que parece bobo, mas que nos deparamos até nos ambientes sociais, que saímos para nos divertir, como eu mesmo me senti indignada quando fui ao um show do maravilhoso ambiente do Freegells em Belo Horizonte, lá é um ambiente amplo e muito bonito, amei o lugar, no entanto, simplesmente fui obrigada a colocar as latas e lixos gerados de papéis de bala num canto do chão, porque me recuso a jogar em qualquer lugar, por causa da ausência de lixeiras, que se concentravam em raríssimos lugares, e isso não é privilégio só desta casa, mas de várias que vamos nos deparando e calando. A cultura da conveniência, de pensar que "colocar para longe de nossos olhos o que nos incomoda", como se fosse a solução, e isso se faz presente no nosso dia-a-dia, quando jogamos um lixo no rio, ou no mar, ou quando nos cegamos ao pensar que não existe pessoas que vivem em subcondições, como bem contado no curta Ilha das Flores, que vivem nas marginais das cidades.

Existem tantas iniciativas à nossa disposição, como promovidas pelas prefeituras de coleta seletiva, recolhimento de entulhos e de lixo orgânico e até pela iniciativa privada de reciclar óleo. Porque então continuamos a agir do mesmo modo?

Que nos libertemos desta cegueira branca, tão citada por mim em vários posts, e em especial no post Ensaio sobre a cegueira (out/08) . A cegueira oriunda da vaidade, da ganância, do egoísmo. A cegueira que nos conforta, nos isola, nos engana. A doce cegueira que nos acomoda.

Que seja enraizado na nossa cultura do cotidiano as ações que moverão para uma sociedade mais consciente, justa e auto-sustentável!

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