segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Pausa para Política

Política é como qualquer outro segmento alimentado muito mais pela identidade das pessoas ali envolvidas, do que pela razão. Assim como futebol, religião, escola de samba ou boi .

Sinceramente não gosto quando as pessoas falam: "não falo sobre estes assuntos". Acho que é ser extremista demais. Mas é claro que há outro extremo, "os que falam disso". Como todo extremismo é "burro" por si só, todos os argumentos dos pós e contras se tornam inférteis.

Certas pessoas chegam à beira da loucura e cegueira com as suas paixões. Muitas outras são capazes de dedicar a maior parte do seu tempo ou promover uma guerra em prol do seu objeto de fixação. Brigam, matam, mentem, destroem, corrompem. Posso chegar a dizer que este sentimento é muito mais fiel que qualquer relacionamento entre um casal. A família e o amor chegam a ficar em segundo lugar, quando um desses sentimentos se torna exarcebado e são respaldados por uma "mania coletiva", onde o errado é a família por não entender. É incrível o poder de alienação e manipulação que o objeto da paixão é capaz de produzir no sujeito apaixonado.

Nesta campanha para prefeitura de Belo Horizonte fiquei espantada com as propagandas voluntariosas que ocorreram em prol dos candidatos. Sites, emails, vídeos. A minha caixa de email recebeu inúmeros destes.

O lado bom era ver todos se envolverem em algo que é realmente importante. Porque estávamos definindo os novos "gestores" de nossa cidade. Por outro lado vemos o quanto que as pessoas "se deixavam" cegar para embasar seus argumentos. Isso foi realmente triste. Pessoas estudadas, trabalhadores informados. Todos, numa mesma tentativa alucinante de "convencer o outro". Muitos nem sabiam o que diziam, apenas "repetiam" o que lhes fora "programado" para dizer.

Dizer que um dos nossos candidatos não sabia do mensalão, porque foi citado e que foi absolvido do caso, é a mesma coisa de dizer que o "dinheiro da cueca" não era do "pobre" homem pego no aeroporto, ou que as altas cifras desviadas dos cofres públicos para uma conta de um famoso político foram parar lá sem ele querer, assim como o nosso presidente não sabia dessas falcatruas debaixo do seu nariz ou que tantos outros nomes absolvidos nestes escândalos e que são publicamente salafrários, lobistas, golpistas e que terminam na "dança da pizza", são todos uns "santos".

Ou assim como nosso outro candidato, que pensava que seguir a velha cartilha dos antigos e corruptos políticos, alguns até da sua própria família, e que é ainda tão usada até hoje por tantos, capaz de reeleger muitos políticos da "velha guarda". Cartilhas que ensinam como vender a alma e comprar os votos. Este era um candidato que tentou passar uma imagem teatral pitoresca do "povo", mas que se descontrolava perante assuntos sérios, numa extrapolação mesclada com inexperiência e imaturidade, excedidos com "chutes na bunda".

O fato é que ambos os políticos não são santos. Por mais que "todos" os simpatizantes dos candidatos dissessem isso. Além de uma desenfreada disputa de "ataques" diretos, ou deveria me corrigir para indiretos? Por que o candidato não poderia ser tão direto assim, era até muito "polite" quando o assunto era falar do adversário. No entanto, incubem os "peões" para fazer o serviço sujo. E quantos os fizeram! Foram para a guerra! Concordo que alguns não agiram como meros peões, porque não tinham boas intenções, mas principalmente, porque sabiam o que estavam fazendo, usando os artifícios e conhecimentos que tinham para "fazer propriamente política", manifestando o que pensava. Outros, contudo, eram os verdadeiros peões, seu "fazer política" era apenas repetir o discurso dos porcos como fazia as ovelhas da Revolução dos Bichos - George Orwel.

Então, se todos são humanos e sujeitos a erros, o que pretendo então dizer aqui? Que política é muito mais que uma "paixão" de time. Acreditar que o seu time é o melhor, mesmo estando em últmo lugar na classificação não muda nada. Mas permitir-se auto-enganar, alienar-se, manipular-se, apenas para fazer parte de uma paixão, principalmente, quando esta define o destino de uma sociedade? Na política não há espaço para ilusões e nem para ludibriar. Há espaço apenas para se fazer política. E política só existe uma: a política séria. Indiferente de quem você vote, ou acredite, não se permita colocar uma viseira, ou pior ainda, uma venda. Os políticos só estão ali, e só fazem as safadezas e desrespeitos com a nossa população porque nós fazemos política assim. Somos nós que os colocamos lá, e consequentemente
, é a forma com a qual lidamos com a política, que ela nos representa lá.

Talvez tenha sido um pouco exagerado ou até mesmo alienado demais. Mas o fato do resultado da eleição ter descartado o "bonito, jovem, teatral" candidato, só mostra que esta fórmula já está gasta. A revolta dos inúmeros eleitores é que não caímos mais nesta fórmula, não somos bobos. Não que o outro candidato fosse perfeito, pelo contrário, há muita história mal contada ali. Contudo, mostra que não queremos apenas "perfeitos e moldados" candidatos, queremos , sobretudo: profissionais de gestão competentes e eficientes, além da ética sincera de respeito com o eleitorado.

Política está em tudo na nossa vida, não há como fugir dela. Na sua vida em comunidade, no seu condomínio, no seu trabalho, na sua escola, na sua casa.
Política não é "chatice", é seriedade, é maturidade em entender as necessidades de convivência de um grupo, respeitando as liberdades do indivíduo, e trazer ações mais harmônicas, fraternas e iguais para todos deste grupo. Política não é só para os líderes políticos, é para cada um, a todo instante, em nossas realidades. Então, que o façamos de forma consciente e inteligente. Que comecemos por nós, para mudarmos à nossa volta!

Rumo a uma sociedade mais digna, mais ética!

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